Publicado 28 de Fevereiro de 2020 - 15h47

Por AFP

Sabia-se que Adolph Hitler admirava o compositor alemão Richard Wagner, mas muitos ficarão surpresos ao saber que o ditador nazista antes de chegar ao poder se lançou na composição de uma ópera.

Uma partitura desse projeto abortado intitulado "Wieland der Schmied" é apresentada pela primeira vez no quadro de uma exposição sobre o "jovem Hitler" que abre suas portas neste fim de semana na Áustria.

Os começos de uma melodia foram escritos em folhas de papel amareladas para música em 1908 por seu único amigo na época, August Kubizek, que as guardou e as transmitiu a seus herdeiros. Hitler tinha vinte anos. Foi ele quem tocou piano.

Ele estudou apenas quatro meses, o que mostra, segundo Christian Rapp, um dos curadores da exposição, sua megalomania. "Hitler sempre superestimou suas habilidades", disse Rapp à AFP.

Essa partitura é considerada a única página sobrevivente de um projeto ambicioso, baseado na mitologia germânica, muito semelhante a uma obra inacabada de Wagner, que tem o mesmo nome.

A exposição, intitulada "O jovem Hitler - Anos de formação de um ditador. 1889-1914", abre suas portas neste sábado na Casa de História do Museu da Baixa Áustria em Sankt-Pölten (nordeste) e exibe até 9 de agosto uma série de objetos que pertenceram ou estão relacionados a Hitler, coletados por August Kubicek entre 1907 e 1920.

Ele os manteve primeiro como lembranças de sua juventude, antes de perceber sua potencial importância histórica. Cartas, cartões postais escritos por Hitler, pinturas, esboços estão entre os objetos exibidos.

Nascido em 20 de abril de 1889 na cidade austríaca de Braunau-am-Inn, Hitler ignorava ter talentos artísticos muito menos desenvolvidos do que suas ambições.

Além de mostrar a jornada pessoal de Hitler, a exposição explora a face oculta da Belle Époque, ou seja, o contexto político e social da Áustria no final do século XIX e início do século XX.

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