Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h19

Por AFP

Um projeto de resolução palestina distribuído aos membros do Conselho de Segurança da ONU nesta terça-feira "lamenta" que o plano de paz dos Estados Unidos para o Oriente Médio "viole o direito internacional", de acordo com uma cópia do texto obtido pela AFP.

Apresentado em 28 de janeiro pelo presidente americano, Donald Trump, esse plano também vai contra as resoluções da ONU adotadas até o momento e "mina os direitos inalienáveis e as aspirações nacionais do povo palestino, incluindo autodeterminação e independência", acrescenta a proposta.

Após as negociações, o texto deve ser votado pelo Conselho de Segurança em 11 de fevereiro, durante uma visita à sede da ONU do presidente palestino, Mahmoud Abbas. No entanto, a proposta não deve avançar devido ao provável veto dos Estados Unidos.

Mas diplomatas afirmam que os palestinos podem buscar uma votação na Assembleia Geral da ONU (onde o veto não existe) como ocorreu no final de 2017, quando a decisão de Washington de reconhecer unilateralmente Jerusalém como a capital de Israel foi condenada.

O projeto de texto palestino, transmitido ao Conselho de Segurança pela Tunísia e Indonésia, dois Estados membros não permanentes, "também destaca a ilegalidade de qualquer anexação do território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Leste".

Especifica que isso constituiria "uma violação do direito internacional, minando a viabilidade de uma solução de dois Estados e questionando a perspectiva de uma paz justa, duradoura e abrangente".

Abbas anunciou no sábado a ruptura de "todas as relações" com Israel e os Estados Unidos, incluindo a cooperação em segurança, após a divulgação do plano de paz americano.

O projeto de Trump estabelece um Estado palestino sem o Vale do Jordão, que seria anexado a Israel, assim como os assentamentos israelenses, com uma capital relegada aos arredores de Jerusalém Leste.

Os palestinos têm como condição fundamental para aceitar a solução de dois Estados a criação de um Estado palestino dentro das fronteiras existentes antes da Guerra dos Seis Dias de 1967, quando Israel ocupou a Cisjordânia e Gaza - e Jerusalém Leste, uma parte da cidade sagrada onde os palestinos querem instalar sua capital.

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