Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h19

Por AFP

O governo britânico prometeu nesta segunda-feira (3) aplicar penas mais severas aos condenados por terrorismo, após um ataque com faca no domingo em Londres, que deixou três feridos.

Foi o segundo ataque deste tipo reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI) em dois meses.

O projeto de lei, que prevê aumentar as penas para os autores de atos terroristas, com um mínimo de 14 anos de prisão por crimes graves e a proibição de liberdade antecipada, será apresentado em breve ao Parlamento. Os conservadores têm uma grande maioria na Casa.

O texto também destaca a prevenção de reincidência, dobrando o número de agentes de liberdade condicional.

"Não queremos (...) um sistema que exija supervisão muito trabalhosa (...) quando outra abordagem carcerária pode ser melhor", explicou o primeiro-ministro Boris Johnson em entrevista coletiva.

Seu governo já havia anunciado um endurecimento da lei após o ataque, com duas mortes no final de novembro na London Bridge, cometido por um extremista em liberdade condicional. O agressor de domingo também se beneficiava da condicional.

No domingo, Sudesh Amman, de 20 anos, que usava um colete explosivo falso, esfaqueou duas pessoas pouco antes das 14h em uma rua comercial do bairro londrino de Streatham. Ele foi abatido pela polícia, cujos tiros provocaram estilhaços de vidro que feriram uma terceira pessoa.

Nesta segunda-feira, o EI reivindicou a autoria do ataque.

"O atacante, no distrito de Streatham, no sul de Londres, ontem (domingo), é um combatente do EI. Ele realizou o ataque em resposta aos pedidos para atacar cidadãos de países da coalizão", informou a Amaq, o organismo de propaganda do grupo.

A imprensa informou que o atacante estava em liberdade condicional, após cumprir metade de sua sentença de três anos e quatro meses de prisão por posse e disseminação de conteúdo terrorista.

Segundo o jornal "The Times", ele enviou propaganda de recrutamento do EI para familiares e amigos no WhatsApp e havia escrito em sua agenda sua vontade de morrer como "mártir" e matar não muçulmanos.

Após o ataque, a polícia indicou que os agentes de sua unidade antiterrorista estavam no local "no âmbito de uma operação preventiva", sugerindo que o agressor era monitorado.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, disse estar "indignado (...) com a falta de progresso nas mudanças prometidas em novembro" pelo governo.

Khan afirmou que cerca de 70 pessoas condenadas por crimes terroristas estão atualmente em liberdade em Londres. "Uma das perguntas que tenho que fazer ao governo é o que devemos fazer com essas 70 pessoas?", acrescentou ele à ITV.

A investigação continua, disse a polícia, que realizou duas operações no sul de Londres e na área de Bishop"s Stortford, cidade localizada ao norte da capital, embora "não tenha feito prisões".

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