Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h19

Por AFP

O discurso do Estado da União do presidente Donald Trump, nesta terça-feira, deixou clara a forte polarização política nos Estados Unidos, simbolizada na recusa do republicano em cumprimentar a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, e no ato da líder democrata ao rasgar uma cópia do pronunciamento diante do Congresso.

Nove meses antes das eleições nas quais busca a reeleição, Trump ostentou uma economia "estrondosa" diante dos legisladores, sem dizer uma palavra sobre sua quase certa absolvição no processo de impeachment que corre no Senado, de maioria republicana, nesta quarta-feira.

"Diferente de tantos que vieram antes de mim, mantenho minhas promessas", afirmou Trump, interrompido várias vezes por aplausos de pé e gritos de "Mais quatro anos!" dos republicanos, enquanto os membros da oposição democrata permaneceram sentados e com os semblantes sérios.

O chefe de Estado republicano encontra-se em um bom momento: a praticamente certa absolvição no julgamento do impeachment vai marcar o fim de um processo de cinco meses que não enfraqueceu sua base eleitoral, além de ter agora um índice de aprovação de 49%, sua melhor avaliação desde que assumiu o cargo em janeiro de 2017.

Como se isso não bastasse, o início caótico em Iowa, na segunda-feira, das primárias democratas para definir seu adversário nas eleições de novembro permitiu que ele se gabasse da "incompetência" de seus oponentes.

Na mesma Câmara de Representantes que o acusou de "abuso de poder" e "obstrução do Congresso", Trump misturou todas as questões da campanha: seu "poderoso muro" contra a imigração do México, sua intenção de proibir o "aborto tardio" e as acusações contra os candidatos democratas que, segundo ele, querem estabelecer um projeto "socialista para o nosso sistema de saúde".

Mas, acima de tudo, ele enfatizou "o grande sucesso econômico" dos Estados Unidos.

"Nossa estratégia funcionou", disse, referindo-se a seus acordos comerciais com a China, México e Canadá.

Ao defender sua política externa, a Venezuela ganhou destaque.

"(Nicolás) Maduro é um governante ilegítimo, um tirano que brutaliza seu povo. Mas o domínio da tirania de Maduro será esmagado e quebrado", disse Trump ao apresentar Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana e autoproclamado presidente do país, reconhecido no cargo pelos Estados Unidos e cerca de 60 países, que estava presente no Congresso americano como "convidado especial" do presidente republicano.

Suas palavras foram um estímulo para Guaidó, que considera fraudulenta a reeleição de Maduro em 2018 e trabalha desde janeiro de 2019 para liderar um governo de transição e organizar novas eleições. Mas seus esforços, que foram apoiados por Washington desde o primeiro dia, não deram frutos, apesar da pressão americana e de sua bateria de sanções.

Trump ignorou seu confronto com o Irã e seu plano de paz para resolver o conflito entre israelenses e palestinos, antes de reafirmar sua intenção de "trazer de volta para casa" os soldados americanos no Afeganistão.

"Não é nossa função ser a agência de segurança de outros países", afirmou.

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