Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h19

Por AFP

Frequentemente, as eleições nos Estados Unidos se veem afetadas por problemas técnicos, como ocorreu no estado de Iowa na noite de segunda-feira, um fiasco que deixou em suspenso os resultados das primárias democratas por "inconsistências" nos informes dos caucus.

Os problemas técnicos que emergem nas eleições dos Estados Unidos podem se explicar em parte pela complexidade do sistema eleitoral desse país.

A organização das eleições é um desafio maior na medida em que os americanos, em geral, votam no mesmo dia nas eleições nacionais e locais, e também elegem autoridades para sua cidade, juízes, chefes de polícia e até podem chegar a decidir sobre um referendo.

Além disso, os sistemas de votação variam de um lugar a outro, porque as eleições se organizam de forma local. Em 2018, o Congresso votou contra de uma iniciativa que fixava padrões e auditorias nacionais para as eleições.

As regras para eleições primárias e assembleias de eleitores ou caucus, processos que os partidos utilizam para eleger seu candidato à presidência, também variam segundo lugar onde se desenvolvam.

Nas eleições presidenciais do ano 2000, cédulas de votação mal perfuradas por máquinas obsoletas provocaram uma grande confusão no estado da Flórida, no sul dos Estados Unidos.

Em alguns casos, as máquinas haviam realizado perfurações parciais, o que deixava a critério dos responsáveis pela votação como computar a intenção do eleitor.

Na noite da eleição, a diferença de votos nesse estado entre o republicano George W. Bush e o democrata Al Gore era de apenas poucas centenas de votos, e o resultado nacional dependia do da península do sul.

A polêmica apuração derivou em uma batalha legal de cinco semanas e os votos acabaram sendo contados à mão.

Milhares de folhas de votação foram anuladas por conter perfurações junto aos nomes de vários candidatos diferentes.

Finalmente, a Suprema Corte agiu, encerrando o caos ao declarar Bush como ganhador.

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