Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h15

Por AFP

Depois de 10 dias fechadas, as Bolsas chinesas despencaram nesta segunda-feira cerca de 8%, sua queda mais importante em cinco anos, devido ao medo do impacto econômico da epidemia de pneumonia viral e apesar das medidas do banco central.

A queda era previsível. As Bolsas de valores de Xangai e Shenzhen estavam fechadas para o feriado do Ano Novo Chinês desde 24 de janeiro, um dia após o isolamento da cidade de Wuhan, epicentro do surto de coronavírus.

Durante esse período, os mercados mundiais também caíram, preocupados com as consequências da epidemia no crescimento da China, a segunda economia mundial, onde a atividade permanece paralisada pelo surto.

Nesse contexto, a Bolsa de Xangai fechou nesta segunda-feira com uma queda de 7,72%, a 2.746,61 pontos, enquanto a de Shenzhen, a segunda mais importante da China continental, perdeu 8,41%, a 1.609,00 pontos.

Esta é a queda mais forte desde o crash da bolsa de 2015.

"O pânico dos investidores se espalhou para todos os títulos e vai dominar o mercado no curto prazo", afirma Yang Delong, economista do fundo de investimentos First Seafront.

Quase 3.500 valores do mercado de ações caíram 10%, quando as negociações são automaticamente suspensas, segundo dados da Bloomberg.

A epidemia, que já provocou mais mortes (362 confirmadas) do que o vírus da SARS em 2002-2003, também afeta os mercados de câmbio e commodities, que também reabriram nesta segunda-feira.

A moeda chinesa caiu 1,5% e ficou abaixo do limite simbólico de sete yuans por dólar, enquanto os preços do minério de ferro, cobre e petróleo foram suspensos porque caíram mais do que o máximo autorizado.

Os mercados chineses deveriam reabrir na sexta-feira, mas o governo chinês estendeu o feriado de Ano Novo por três dias para tentar evitar as viagens de milhões de pessoas e conter o vírus.

Para conter o pânico, o Banco Central chinês (PBOC) anunciou no domingo uma injeção de 1,2 bilhão de yuans (175 milhões de dólares) no sistema financeiro.

Nesta segunda-feira, a instituição também reduziu a taxa preferencial aplicada aos bancos comerciais para empréstimos de curto prazo em 2,4% (comparado a 2,5% até agora).

Uma medida que poderia "aliviar a pressão sobre os bancos", reduzindo seus custos de financiamento, segundo Julian Evans-Pritchard, da consultoria Capital Economics.

No entanto, "essa queda é muito marginal para reduzir substancialmente os danos à atividade econômica", acrescenta o analista.

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