Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h15

Por AFP

Os manifestantes tomaram as ruas de Bagdá e de várias cidades do sul do Iraque neste domingo para protestar contra o novo primeiro-ministro, nomeado na véspera, apesar das promessas do chefe de Governo de atender as demandas do movimento que agita o país há quatro meses.

Mohamed Alawi foi designado no sábado pelo presidente Barham Saleh para formar o governo, uma escolha de consenso após semanas de crise política e duas semanas depois da renúncia de seu antecessor, Adel Abdel Mahdi, em consequência da pressão das ruas.

Desde dezembro, Abdel Mahdi administrava o dia a dia do país em meio às exigências dos manifestantes para que o seu sucessor fosse um nome independente da classe política, que a população considera corrupta e incompetente.

Neste domingo, os iraquianos expressaram sua rejeição ao novo chefe de Governo, um ex-ministro que eles consideram parte do sistema que desejam ver abolido.

"Mohamed Alawi rejeitado por ordem do povo", afirmava uma faixa na cidade sagrada de Naja, 180 km ao sul de Bagdá.

A partir de sábado à noite várias avenidas da idade foram bloqueadas pelos manifestantes, que queimaram pneus.

Em Diwaniya, os manifestantes invadiram prédios do governo e os os estudantes organizaram protestos.

Na cidade de Al Hilla, os moradores bloquearam as estradas aos gritos de "Alawi não é a escolha do povo".

Alawi, 65 anos, começou a carreira política como deputado após a invasão americana do Iraque em 2003 que levou à derrubada do ditador Saddam Hussein. Foi ministro das Comunicações duas vezes, entre 2006 e 2007 e entre 2010 e 2012, no governo de Nuri al Maliki.

Ele tentou adotar medidas de combate à corrupção, mas nas duas oportunidades terminou pedindo demissão e acusando Maliki de ignorar o problema.

No sábado, durante seu primeiro discurso na televisão pública, prometeu formar um governo representativo e convocar eleições antecipadas. Também disse que justiça será feita para os manifestantes mortos durante os protestos - 480 pessoas morreram, de acordo com um balanço da AFP.

A partir de agora, Alawi terá um mês para formar o governo, que precisa ser aprovado em uma moção de confiança do Parlamento.

No sábado, Moqtada Sadr, um dos políticos mais influentes do país, líder da maior bancada do Parlamento, expressou apoio a Alawi no Twitter e afirmou que sua nomeação era um "passo positivo".

Além disso, o líder xiita, que apoiou os manifestantes desde o início do movimento, pediu a seus simpatizantes neste domingo que estabeleçam uma coordenação com as forças de segurança para a liberação das estradas e a reabertura das escolas.

"A revolução deve se tornar mais prudente e pacífica", escreveu Sadr no Twitter.

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