Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h14

Por AFP

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, está em Teerã para discussões destinadas a diminuir as tensões internacionais sobre a questão nuclear iraniana.

A visita de Borrell também ocorre após um novo pico de tensão entre a República Islâmica e os Estados Unidos. Os dois países chegaram à beira da guerra no início de janeiro, pela segunda vez em sete meses, após o assassinato por Washington de um proeminente general iraniano no Iraque.

Borrell se reuniu com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, com o presidente, Hassan Rohani e com o presidente do Parlamento, Ali Larijani.

Após a conversa, Borrell quis tranquilizar a imprensa sobre as intenções de Berlim, Londres e Paris em relação ao acordo nuclear iraniano de 2015, que está ameaçado desde que os Estados Unidos se retiraram unilateralmente em 2018.

Em resposta à retirada dos EUA, o Irã deixou de implementar vários compromissos importantes do acordo de Viena entre Teerã e o grupo P5 + 1 (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e Alemanha).

Os três países europeus lançaram em janeiro o mecanismo de solução de controvérsias (MSC), incluído no texto, na tentativa de forçar Teerã a voltar à plena aplicação.

Para Borrell, a ativação do MSC não significa que esses três países "queiram ir ao Conselho de Segurança (da ONU) para cancelar definitivamente o acordo". Pelo contrário, "todos nós insistimos na ideia de que essa medida foi tomada para tentar mantê-lo viva, para dar tempo às negociações".

O Irã alertou que se o Conselho restabelecer as medidas, isso significará a morte do acordo de Viena.

A visita de Borrell ocorre em um novo período de tensão entre o Irã e o Ocidente sobre o programa nuclear da República Islâmica.

Borrell anunciou em 24 de janeiro que os Estados-partes no acordo de Viena haviam concordado em realizar uma reunião de conciliação em fevereiro para preservar esse pacto abandonado pelos Estados Unidos unilateralmente em 2018.

Concluído entre a República Islâmica e o grupo P5+1 (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e Alemanha), o acordo de Viena oferece ao Irã a suspensão de parte das sanções internacionais que sufocavam sua economia em troca de garantias destinadas a provar a natureza exclusivamente civil de seu programa nuclear.

O Irã concordou em reduzir drasticamente suas atividades nucleares e se submeter a um regime de inspeção, o mais restritivo já criado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Nesta segunda-feira, de acordo com um comunicado da presidência iraniana, Rohani disse a Borrell que seu país "está disposto a (...) cooperar com a UE para resolver os problemas" e voltar "a respeitar seus compromissos" quando as outras partes envolvidas no contrato cumprirem "plenamente com suas obrigações".

Com a decisão dos Estados Unidos de se retirar do acordo de Viena e restabelecer sanções, a República Islâmica ficou privada dos benefícios que esperava deste pacto.

Escrito por:

AFP