Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h13

Por AFP

Berta Schubaroff, uma ativista militante na busca de pessoas desaparecidas durante a ditadura argentina e ex-esposa do premiado escritor Juan Gelman, morreu aos 92 anos e seu corpo será velado neste domingo em Buenos Aires, informaram fontes oficiais.

Schubaroff era membro da ONG Avós da Praça de Maio, criada em 1977 para localizar e devolver às famílias de origem as crianças desaparecidas durante a última ditadura argentina (1976-1983).

Graças a essa busca, ela e Gelman conseguiram encontrar sua neta Macarena em 2000, que durante a ditadura foi separada de sua mãe e entregue ilegalmente à família de um policial uruguaio.

Schubaroff foi casada com Marcelo Gelman, vencedor dos prêmios Cervantes de Literatura em 2007 e Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana em 2005. Eles tiveram dois filhos, Marcelo e Nora, e depois se separaram.

Marcelo Gelman foi morto durante a última ditadura militar argentina e seu corpo foi encontrado em 1989.

A esposa de Marcelo, María Claudia García, grávida de sete meses, foi levada a um centro de detenção clandestino para dar à luz antes de ser supostamente executada em 1976. Seu bebê, a pequena Macarena, foi ilegalmente entregue a um policial uruguaio.

Aos 23 anos, Macarena Gelman descobriu que não era filha daqueles que a criaram e conheceu sua verdadeira identidade.

Juan Gelman morreu aos 83 anos em 2014 no México, onde esteve exilado por 25 anos por sua militância contra a ditadura militar na Argentina.

O corpo de Berta Schubaroff será velado durante o fim de semana na Assembleia Legislativa de Buenos Aires e depois cremado no cemitério de Boulogne.

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