Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h11

Por AFP

A primeira morte fora da China provocada pelo novo coronavírus, nas Filipinas, aumentou neste domingo o temor da propagação da epidemia, que já matou mais de 300 pessoas em território chinês.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou neste domingo que um chinês natural de Wuhan, epicentro da epidemia, faleceu neste domingo nas Filipinas.

"É a primeira morte registrada fora da China por esta doença", declarou Rabindra Abeyasinghe, representante da OMS nas Filipinas.

O anúncio foi feito depois que vários países decidiram fechar suas fronteiras a pessoas procedentes da China. O novo coronavírus 2019-nCoV, transmissível entre humanos, já contaminou mais de 14.000 pessoas na China e foi registrado em 24 nações.

O Banco Central da China, cujo crescimento já passava por uma desaceleração antes da epidemia, anunciou neste domingo uma injeção de 1,2 trilhão de yuanes (175 bilhões de dólares) para apoiar a economia do país.

A operação acontecerá na segunda-feira, dia de reabertura dos mercados financeiros após as férias de Ano Novo, que foram prorrogadas em consequência do coronavírus.

Diante da propagação do novo coronavírus, diversos países, incluindo Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Israel, fecharam as fronteiras à entrada de pessoas procedentes da China em uma tentativa desesperada de limitar sua exposição à epidemia.

O vírus foi registrado em 24 países, na Ásia, Europa, Oriente Médio e América do Norte, enquanto África e América Latina parecem livres da epidemia até o momento.

A morte nas Filipinas foi divulgada pouco depois de Manila ter anunciado a proibição imediata da entrada no país de estrangeiros procedentes da China.

Vários países, como Estados Unidos, Japão, Espanha, França, Índia, Alemanha, Colômbia e Itália, fretaram aviões até a China para repatriar seus cidadãos ou pretendem organizar viagens do tipo em breve.

Um avião francês decolou neste domingo de Wuhan com cidadãos de 30 nacionalidades, informou o ministro das Relações Exteriores Jean-Yves Le Drian.

Na China, o balanço mais recente, divulgado neste domingo, registra 304 mortes, 45 delas nas últimas 24 horas. O número de contágios confirmados se aproxima de 14.500.

Os números de contágio superam os da epidemia de Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que matou 774 pessoas, a maioria na China e em Hong Kong, entre 2002 e 2003.

Para tentar conter a propagação do vírus, Pequim anunciou medidas drásticas e limitou os deslocamentos de pessoas. Desde 23 de janeiro, quase 56 milhões de habitantes estão confinados na província de Hubei e sua capital Wuhan, a metrópole de 11 milhões de pessoas onde foi detectado o primeiro foco da doença.

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