Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h11

Por AFP

O presidente Donald Trump deve ser absolvido, nesta quarta-feira (5), no processo de impeachment em curso contra ele, no desfecho de um processo que não foi tão danoso quanto os democratas esperavam e após um discurso sobre o Estado da União que revelou a profunda divisão política dos Estados Unidos.

A Câmara de Representantes de maioria democrata submeteu Trump a um julgamento político, após acusá-lo de abuso de poder e de obstrução do Congresso em dezembro por pedir à Ucrânia que investigasse seu rival político Joe Biden e congelasse uma ajuda militar crucial para este país em conflito.

Longe de conseguir forçar sua renúncia, como aconteceu com Richard Nixon em 1974, Trump espera ser absolvido pela maioria republicana do Senado.

Embora o encerramento do julgamento político não signifique o fim das investigações dos democratas contra o presidente, dá a Trump impulso em sua corrida pela reeleição, após um tumultuado primeiro mandato.

Apesar de nunca ter atingido percentuais de aprovação superiores a 50% durante sua Presidência, Trump teve seu melhor registro na véspera do veredicto: 49%, segundo o Gallup.

Com uma leal base na ala mais conservadora do partido, a qual frequentemente lota seus comícios em diferentes partes do país, o presidente está convencido de que tem força suficiente para voltar a ganhar.

A isso, soma-se o fiasco da primária de um Partido Democrata cindido, em Iowa, na segunda-feira, no início da corrida eleitoral para a Presidência. Até agora, falhas técnicas impediram a divulgação dos resultados oficiais.

A profunda divisão política do país foi patente na terça à noite por ocasião do discurso anual sobre o Estado da União do presidente no Congresso. O processo de impeachment foi uma clara ausência em suas palavras.

Após um discurso de uma hora e 18 minutos, no qual Trump elogiou o desempenho de seu governo e proclamou" o grande retorno" dos Estados Unidos, a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, rasgou sua cópia do discurso.

O evento já havia começado com um sinal de hostilidade por parte do magnata republicano. Ao entrar no plenário, Trump se negou a apertar a mão de Pelosi, que foi deixada no ar.

Em vários momentos, os democratas vaiaram o discurso, e alguns se levantaram e foram embora.

Na mesma Câmara de Representantes que o submeteu ao impeachment, Trump abordou todos os temas da campanha: seu "poderoso muro" contra a imigração procedente do México, sua intenção de proibir o "aborto tardio" e as acusações contra os candidatos democratas, os quais, segundo ele, estão fazendo uma "apropriação socialista do nosso sistema de saúde".

O destaque foi para o "grande sucesso econômico" dos Estados Unidos. "Nossa estratégia funcionou", disse ele, referindo-se aos acordos comerciais com China, assim como com México e Canadá.

Ao defender sua política externa, a Venezuela teve protagonismo. Trump convidou o líder opositor venezuelano Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por cerca de 60 nações, e o ex-chefe policial venezuelano Iván Simonovis, acolhido pelos Estados Unidos no ano passado. Ele fugiu de seu país no ano passado, após passar 15 anos preso.

Trump também antecipou o fim da "tirania" de Nicolás Maduro.

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