Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h10

Por AFP

Kiev acusou o Irã de saber imediatamente que o avião ucraniano que caiu no início de janeiro perto de Teerã havia sido derrubado por mísseis, baseando-se em uma conversa entre um piloto iraniano e os controladores de tráfego aéreo no momento da tragédia.

Nesta conversa divulgada no domingo à noite pelo canal de televisão ucraniano 1+1, dois homens identificados como um responsável do aeroporto de Teerã e um piloto da companhia aérea Iran Aseman Airlines conversam em Farsi. O segundo diz observar "o brilho de um míssil" e, depois, uma explosão.

"Isso prova que a parte iraniana sabia desde o início que nosso avião havia sido abatido por um míssil, eles sabiam" assim que caiu, reagiu o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, em uma entrevista publicada no site 1+1.

A cadeia 1+1, cujo proprietário é um oligarca considerado próximo a Zelenski e possui ações da companhia aérea Ukraine International Airlines (UIA), proprietária do avião que caiu, afirmou ter recebido essa gravação "dos serviços especiais".

Hoje, um alto funcionário ucraniano, Oleksiï Danilov, excluiu que o vazamento poderia vir de Kiev.

"Em nossa rota, há luzes, como um míssil. Está acontecendo alguma coisa?", pergunta na gravação o piloto do voo EP3768 proveniente de Shiraz (centro-sul do Irã), que se preparava para pousar.

O controlador responde que não tem informações. "Como se parece? Como é essa luz?", pergunta.

"É a luz de um míssil", afirma o piloto.

Depois disso, o controlador tenta várias vezes, sem sucesso, comunicar-se com o voo da UAI que acabara de decolar.

"Foi uma explosão. Vimos uma luz muito grande. Realmente não sei o que era", acrescenta o piloto.

Após vários dias de negação, as Forças Armadas iranianas admitiram, em 11 de janeiro, que haviam abatido este Boeing 737 "por engano", três dias antes, alguns minutos após a decolagem.

Todas as 176 pessoas a bordo, principalmente iranianas e canadenses, perderam a vida.

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