Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h05

Por AFP

O governo chinês, que começa a ficar sobrecarregado pela epidemia do novo coronavírus, pediu ajuda urgente de máscaras, óculos e roupas de proteção, enquanto o número de mortos chegou a 361, excedendo o saldo da SARS em 2003.

"O que a China precisa urgentemente é de máscaras, trajes e óculos de proteção", declarou Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Vários países, incluindo França, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul, já enviaram material médico para a China, acrescentou a porta-voz.

Enquanto isso, o país segue paralisado pelo medo do vírus que já contaminou mais de 17.000 pessoas. Nesta segunda-feira, o Ministério da Indústria reconheceu que, após o longo feriado do Ano Novo Lunar concluído no domingo, as fábricas retomaram a produção e trabalham com 70% da capacidade.

As autoridades de saúde chinesas registraram 57 mortes nas últimas 24 horas, no pior saldo diário desde que o novo coronavírus foi detectado em dezembro em Wuhan, capital da província de Hubei.

Atualmente, a China continental (sem contar Hong Kong e Macau) já contabilizou mais mortes dos que as 349 causadas pela epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) em 2002-2003.

A SARS, que infectou cerca de 5.300 pessoas em vários países, deixou um saldo total de 774 mortos, principalmente em Hong Kong.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que já declarou uma emergência internacional devido à atual epidemia, reportou nas Filipinas a primeira vítima fatal do novo coronavírus fora da China, um homem de 44 anos de Wuhan.

A maioria das mortes e infecções está concentrada em Hubei, onde cerca de 56 milhões de habitantes estão isolados do mundo desde 23 de janeiro e têm severas restrições ao deixar suas casas, na tentativa de conter a propagação.

Seus habitantes se sentem discriminados e sob constante suspeita.

Lucy Huang, uma cineasta documentarista de 26 anos que vive em Pequim e nasceu em Wuhan, diz se sentir "muito ferida". "Nosso inimigo é o vírus, não deveria ser a população de Hubei, ou Wuhan", disse à AFP.

Na imensa cidade industrial de Wenzhou, a cerca de 800 quilômetros de Wuhan, colocada em quarentena, seus nove milhões de habitantes receberam ordens de que apenas um residente por família pode sair a cada dois dias para comprar itens de primeira necessidade.

Os centros médicos de Wuhan estão sobrecarregados e, nesta segunda-feira, foi inaugurado um hospital construído em um tempo recorde de dez dias. Um maior, com 1.600 leitos, está em construção.

Em Hong Kong, onde 15 casos foram confirmados, centenas de funcionários de hospitais públicos entraram em greve nesta segunda-feira para exigir o fechamento da fronteira com a China continental, a fim de reduzir o risco de propagação.

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