Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h02

Por AFP

Medicamentos para combater a gripe e antirretrovirais têm sido apresentados como possíveis tratamentos para o novo coronavírus, mas os especialistas alertam que ainda não há perspectiva suficiente para garantir sua eficácia e acreditam que encontrar um remédio eficaz pode levar anos.

Os pacientes diagnosticados com a gripe comum geralmente recebem um medicamento antirretroviral chamado Tamiflu.

Mas a gripe sazonal é "muito diferente do coronavírus chinês", diz Sylvie van der Werf, do Instituto Pasteur de Paris.

Até agora, o novo coronavírus infectou milhares de pessoas e matou 420, a maioria na China.

Há duas semanas, médicos chineses confirmaram que haviam administrado medicamentos contra a aids em pacientes com coronavírus em Pequim, com base em um estudo de 2004 durante a epidemia de SARS que deu "respostas positivas".

Se usados em conjunto, os antirretrovirais lopinavir e ritonavir diminuem o número de células HIV no sangue do paciente, reduzindo a capacidade do vírus de se reproduzir e atacar o sistema imunológico.

Os médicos também combinaram o tratamento com outro medicamento contra gripe chamado oseltamivir, na esperança de criar uma combinação que possa enfraquecer a força do coronavírus.

Na Tailândia, onde há 19 casos confirmados, um paciente chinês de 71 anos deu negativo para o coronavírus 48 horas após receber os três medicamentos.

Os médicos tailandeses advertiram, porém, que os medicamentos devem ser administrados sob supervisão, em razão de efeitos colaterais, ou de reação com tratamentos anteriores.

No momento não há certeza.

O estudo de 2004 mostra que os antirretrovirais usados em pacientes com SARS tiveram "benefícios clínicos substanciais", segundo especialistas da China.

Testes em 41 pacientes com coronavírus mostraram, no entanto, "limitações", como apontou uma pesquisa publicada em 24 de janeiro na revista médica The Lancet.

As empresas farmacêuticas estão trabalhando em várias opções de tratamento.

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