Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 10h00

Por AFP

Combates entre soldados turcos e o exército sírio deixaram, nesta segunda-feira, 17 mortos no noroeste da Síria, aumentando as tensões entre a Turquia e a Rússia, principal aliado do regime sírio.

Trata-se do incidente mais sério entre Damasco e Ancara desde a intervenção da Turquia no conflito sírio em 2016 para combater o grupo Estado Islâmico (EI) e neutralizar o progresso das forças curdas perto de sua fronteira.

Os confrontos diretos entre a Turquia, que apoia os rebeldes sírios, e as forças do regime sírio foram raros desde o início da guerra em 2011.

Os combates começaram com tiros do regime contra posições turcas, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

A Turquia informou que quatro de seus soldados foram mortos e nove ficaram feridos por tiros de artilharia do regime, e afirmou que o exército turco respondeu e "destruiu vários alvos".

Pelo menos 13 soldados do regime sírio morreram e outros 20 ficaram feridos em represália, segundo o OSDH.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan indicou, entretanto, que "entre 30 e 35" soldados sírios haviam morrido. A agência oficial síria Sana negou que tenha havido mortos nas fileiras do exército.

Entre os civis, pelo menos nove, incluindo quatro crianças, morreram e 20 ficaram feridos em bombardeios aéreos no noroeste da Síria, onde as forças do regime aliadas ao exército russo combatem os jihadistas e rebeldes, segundo o OSDH, que não informou o autor do ataques.

"Aviões de combate atacaram um carro que transportava pessoas deslocadas", disse à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman. Sete membros da mesma família estão entre as vítimas, informou.

Os combates entre soldados sírios e turcos ocorrem alguns dias depois que o presidente turco acusou a Rússia de "não honrar" os acordos bilaterais destinados a impedir uma grande ofensiva do regime no noroeste do país.

"Continuaremos a pedir que prestem contas", alertou Erdogan, que pediu à Rússia que não "impeça" a resposta turca.

O ministério da Defesa turco informou que os militares atacados foram enviados a Idlib para reforçar os postos de observação turcos na região.

O porta-voz do partido de Erdogan, o AKP, disse que o regime sírio atacou os soldados turcos porque se sentia "protegido pelo guarda-chuva russo".

O ministério da Defesa da Rússia afirmou, por outro lado, que o grupo de soldados turcos realizava deslocamentos na zona de distensão de Idlib (...) sem ter avisado a Rússia".

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