Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h59

Por AFP

A província de Buenos Aires, maior distrito da Argentina, aguarda a resposta dos credores a uma oferta de última hora para a postergação de um pagamento que a livre do default.

O governo provincial ofereceu nesta segunda-feira pagar 30% dos 250 milhões de dólares de capital com vencimento em 26 de janeiro e postergar o restante para 1º de maio, uma melhora em relação à proposta de sexta-feira.

O prazo originalmente venceria na sexta-feira, mas foi prorrogado para esta segunda e depois para a terça-feira, quando se deve conseguir pelo menos 75% de adesões. Caso não consiga, entrará em default na quarta-feira, último prazo do pagamento.

"Houve uma aceitação por parte de uma quantidade significativa dos credores", disse o governador peronista Axel Kicillof à rádio El Destape horas após o lançamento da oferta, embora tenha evitado informar sobre as adesões.

"As aceitações sempre acontecem nas últimas horas e hoje (segunda-feira) se conseguiu o apoio do maior grupo de credores organizados", assegurou, embora tenha admitido que "ainda restam alguns fundos que têm posições complicadas".

A modificação do prazo se justificou "em virtude da adesão de um grande número de credores e de intercâmbios mantidos com fundos institucionais que ainda não manifestaram seu consentimento, mas que demonstraram boa vontade e compreensão pela situação provincial", informou o comunicado oficial.

O vencimento de capital, datado para 26 de janeiro, ultrapassou 250 milhões de dólares e os juros 27 milhões de dólares.

Segundo o economista Nikhil Sanghani, da Capital Economics, um obstáculo para Buenos Aires "é que os credores podem esperar sinais mais claros sobre os planos do governo nacional acerca da reestruturação da dívida, que não se espera até o final do mês".

"Mesmo se um acordo com os credores for alcançado antes de quarta-feira, isso não é o fim do jogo", alertou. "A província de Buenos Aires tem grandes vencimentos em junho, portanto, prorrogar o pagamento não será suficiente e o default ainda é possível este ano, embora seja evitável nesta semana", explicou Sanghani.

As dívidas das províncias estão legalmente separadas da nacional, mas um eventual default da principal província argentina é, segundo analistas, um potencial fator de desconfiança para os credores em sua negociação com o governo nacional.

A província de Buenos Aires enfrentará em 2020 vencimentos por cerca de 3 bilhões de dólares sobre um total de mais de 8 bilhões até o final de 2023.

O cumprimento dessa nova oferta, se for aceita, se feito "com recursos provinciais, que são escassos", disse o ministro da Fazenda de Buenos Aires, Pablo López.

O governo nacional antecipou que não poderá auxiliar a província de Buenos Aires, onde vive mais de um terço dos quase 45 milhões de argentinos.

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