Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h59

Por AFP

Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (4) o envio, pela primeira vez, de uma arma nuclear de baixa potência a bordo de um submarino, com a intenção de impedir a Rússia de usar armamento semelhante.

A Marinha dos EUA implantou "a ogiva nuclear W76-2 em um míssil balístico lançado de um submarino", informou em um comunicado John Rood, o número dois do Pentágono.

"Potenciais adversários como a Rússia acreditam que o uso de armas nucleares de baixa potência lhes dará uma vantagem sobre os Estados Unidos e seus aliados e parceiros", acrescentou Rood, confirmando assim as informações reveladas por um grupo de especialistas da Federação de Cientistas Americanos (FAS, na sigla em inglês).

Durante a publicação da nova "postura nuclear" dos Estados Unidos em fevereiro de 2018, o Pentágono anunciou que modificaria cerca de 50 ogivas nucleares para reduzir sua potência e embarcá-las em submarinos, a fim de reduzir a ameaça da Rússia.

Segundo Washington, Moscou está modernizando um arsenal de 2.000 armas nucleares táticas, que ameaça países vizinhos da Europa e viola as obrigações do tratado de desarmamento Novo Start, assinado pelos Estados Unidos e pela Rússia em 2010.

Este último foi aplicado às armas estratégicas que possibilitam uma estratégia de dissuasão nuclear, baseada em uma "destruição mútua garantida".

Essas armas nucleares táticas, de potência inferior à bomba de Hiroshima, permitiriam à Rússia superar os ocidentais em caso de conflito, uma vez que os Estados Unidos hesitariam em replicar com uma arma nuclear de grande poder, muito mais devastadora.

Segundo Washington, Moscou está modernizando um arsenal de duas mil armas nucleares táticas, o que ameaça os países vizinhos europeus e vai de encontro às obrigações definidas no tratado de desarmamento firmado pelos EUA e a Rússia em 2010.

As armas nucleares táticas, cuja potência é inferior a da bomba de Hiroshima, permitiriam que em um conflito iminente a Rússia tivesse vantagem em relação ao Ocidente.

De acordo com o governo americano, a Rússia teme ser dominada rapidamente em caso de conflito com o Ocidente e por isso tem adotado uma doutrina de "escalada-desescalada", que consiste em lançar armas nucleares de baixa potência antes dos seus inimigos.

As novas armas "fortalecem a dissuasão" e dão ao Estados Unidos a capacidade de "resposta rápida e menos mortal", afirmou Rood.

A ogiva W76-2 foi colocada a bordo do submarino USS Tennessee, que patrulha o Atlântico, no final de 2019.

Sua potência é três vezes menor que os 15 quilotons da bomba de Hiroshima e é muito baixa em comparação com as outras armas nucleares transportadas em submarinos similares ao americano, que chegam a alcançar entre 45 a 90 quilotons, segundo fontes.

Críticos dizem que, depois de décadas em que o tamanho das armas nucleares era visto como um impedimento ao seu uso, uma pequena ogiva nuclear poderia aumentar essa possibilidade.

"Enquanto alguns argumentam que essa ogiva é uma resposta à estratégia russa de "escalar para ampliar" que fortalecerá a dissuasão (...) Outros argumentam que reduzirá o freio para o uso dos Estados Unidos e aumentará o risco de guerra", informou o serviço de investigação do Congresso em um relatório no mês passado.

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