Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h58

Por AFP

As dificuldades da China em conter o coronavírus de Wuhan podem aumentar o impacto da epidemia na segunda economia mundial, onde muitas fábricas ainda estão fechadas e milhões de consumidores estão trancados em casa.

A epidemia, que deixou quase 500 mortos e infectou 24.000 pessoas, levou as autoridades a impor restrições a viagens e fechar atrações turísticas, centros de lazer, empresas e escolas.

A província de Hubei, em cuja capital, Wuhan, o coronavírus surgiu, está isolada desde o final de janeiro e outras cidades também estão em quarentena. No total, mais de 70 milhões de pessoas na China estão atualmente confinadas.

Os economistas alertam para o possível freio econômico no primeiro trimestre do ano - e mesmo durante todo o ano - pelo efeito do coronavírus nas férias do Ano Novo Chinês, um dos momentos de maior consumo.

"O momento inoportuno em que o surto chegou, coincidindo com o Ano Novo Chinês, um período de maior transporte (...) bem como o confinamento das regiões afetadas, tudo isso afeta", diz Louis Kuijs, da Oxford Economics.

A crise também ocorre quando o governo de Pequim tenta incentivar o crescimento, sobrecarregado pela queda na demanda externa e pela guerra comercial com os Estados Unidos.

Segundo os analistas da Moody"s, o vírus representa "uma séria ameaça crescente para as frágeis economias chinesa e global".

Muitas fábricas que fecharam durante o feriado de Ano Novo decidiram prolongar a suspensão das atividades.

Dado que Wuhan é uma das principais áreas chinesas de produção de automóveis, o efeito na economia pode ser importante.

Um porta-voz da Ford disse à AFP que a produção será retomada na próxima semana, mas que a epidemia já "suprimiu ou atrasou bastante as compras dos clientes".

Dongfeng, uma das maiores empresas chinesas de automóveis, com sede em Wuhan, disse que a reabertura de suas fábricas "dependerá da prevenção e controle da epidemia".

A agência de classificação financeira S&P espera que o adiamento da reabertura das fábricas afete a produção de automóveis em 2% e alertou que o impacto real pode ser maior se os trabalhadores decidirem deixar Hubei.

A Oxford Economics acredita que o vírus pode reduzir o crescimento chinês em pelo menos dois pontos percentuais no primeiro trimestre, embora melhore no segundo.

Em 2019, a China cresceu em seu ritmo mais lento em três décadas e as previsões para este ano de 5,4% poderão ser reduzidas novamente pelo coronavírus.

O principal problema continua sendo a queda no consumo interno causado pela epidemia, principalmente nos transportes, turismo e entretenimento.

Escrito por:

AFP