Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h58

Por AFP

Em mais de 230 anos, apenas três presidentes dos Estados Unidos enfrentaram um processo de impeachment, mas muitos temem que essa ferramenta constitucional se banalize frente a contextos de aprofundamento da divisão política.

A Constituição dos Estados Unidos proporciona um marco excepcional para expulsar um presidente culpado de "traição, corrupção" e "crimes mais graves".

Enquanto a Câmara de Representantes é responsável por acusá-lo em uma votação que aprovará, ou não, o "impeachment"; o Senado é encarregado de julgá-lo. Para determinar seu afastamento definitivo, a Casa precisa do voto de dois terços da Câmara.

Somente Andrew Johnson, em 1868, Bill Clinton, em 1999, e Donald Trump sofreram este processo. Trata-se, portanto, de algo ainda raro na história política dos EUA.

Apenas 21 anos separam os julgamentos dos presidentes Clinton e Trump, lembrando que Richard Nixon renunciou em 1974, pouco antes de uma votação de "julgamento político" por sua ligação com o escândalo de espionagem política do Watergate.

Nos últimos anos, pairou a ameaça de julgamento político contra George W. Bush, pela invasão do Iraque e, embora de forma mais marginal, contra Barack Obama.

"O julgamento político de Trump é menos histórico do que a continuação de uma tendência alarmante", escreveu Michael Gordon, ex-membro do governo Clinton, no site Business Insider.

"Levando-se em conta as crescentes divisões do nosso país", acrescentou, "é provável que o "impeachment" se torne algo normal".

Os advogados de Trump usaram este argumento em sua exposição oral.

Sem se deterem nos fatos que pesam contra o magnata republicano (ter congelado a ajuda destinada à Ucrânia para obrigar este país a investigar um de seus adversários políticos), consideraram que, mesmo que fossem comprovados, não justificavam sua destituição.

"O parâmetro para a destituição não pode ser estabelecido tão baixo", disse Jay Sekulow, caso contrário "terá um impacto no funcionamento da nossa República e na Constituição durante gerações".

"O "impeachment" vai se transformar na arma" do partido majoritário na Câmara de Representantes simplesmente porque "não gosta do presidente", queixou-se o senador republicano Rand Paul.

O professor de Ciência Política da American University James Thurber, mostra seu ceticismo diante deste argumento.

"Sem dúvida, os Estados Unidos estão polarizados e continuarão polarizados por várias razões, e uma delas - não menos importante - é a divisão entre o rural e o urbano", explicou à AFP.

O julgamento político é um assunto "tão sério" que "as pessoas não querem passar por isso de novo".

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