Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h56

Por AFP

Milhões de habitantes da China receberam ordem nesta quarta-feira (5) de permanecer confinados em suas casas, em cidades com as ruas cercadas, enquanto as autoridades lutam contra a epidemia de coronavírus que já matou 490 pessoas.

A preocupação mundial aumenta, à medida que mais países registram casos que não foram importados da China.

Com 490 vítimas fatais e mais de 24.000 casos apenas na China, mais cidades chinesas adotaram restrições nos últimos dias em áreas afastadas da província de Hubei (centro), o epicentro da epidemia, em uma tentativa desesperada de frear o novo coronavírus.

Quase 56 milhões de pessoas da província de Hubei, que tem a cidade de Wuhan como capital, estão praticamente confinadas desde a semana passada.

Mais três cidades da província de Zhejiang - Taizhou, Wenzhou e partes de Ningbo - adotaram as mesmas medidas, o que afeta 18 milhões de pessoas.

Em Hangzhou, a apenas 175 km de Xangai, barreiras verdes bloqueiam as ruas que levam à sede da gigante de tecnologia chinesa Alibaba, enquanto um avião de combate sobrevoa a região em círculos. Revendedores foram autorizados a entrar na zona para assegurar o abastecimento.

Alibaba fica em um dos três distritos nos quais três milhões de cidadãos passaram a viver sob condições rígidas esta semana: apenas uma pessoa por residência pode sair a cada dois dias para comprar artigos de primeira necessidade.

"Por favor não saiam! Não saiam!", afirma uma voz no sistema de alto-falantes, que também recomenda o uso de máscara, lavar as mãos regularmente e informar sobre a presença de qualquer pessoa procedente de Hubei, ante o temor de que os moradores desta província possam infectar outros.

As autoridades anunciaram políticas similares em duas cidades na província mais ao nordeste da China, Heilongjiang, e em outras localidades ao longo da costa leste.

Na província de Henan, que tem limite com Hubei, um distrito da cidade de Zhumadian decidiu que apenas uma pessoa pode sair de casa a cada cinco dias.

A epidemia levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar emergência de saúde mundial. Vários governos estabeleceram restrições de viagens e companhias aéreas suspenderam voos para e a partir da China.

Duas mortes foram registradas fora da China continental, uma em Hong Kong e outra nas Filipinas.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, elogiou as medidas drásticas adotadas pela China. "Temos uma oportunidade de atuar graças a estas medidas. Não podemos desperdiçar", disse.

Nesta quarta-feira, as autoridades japonesas anunciaram que 10 passageiros têm o vírus no cruzeiro "Diamond Princess", que transporta 3.711 pessoas, todas colocadas de quarentena desde que um homem que desembarcou em Hong Kong foi diagnosticado com a doença.

Segundo a operadora do cruzeiro, "Princess Cruises" (empresa do grupo americano Carnival Corp), metade dos 2.666 passageiros são japoneses, enquanto o ministro da Saúde do Japão, Katsunobu Kato, disse que cidadãos de 56 países estavam a bordo.

Escrito por:

AFP