Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h56

Por AFP

Os democratas, que atuam como promotores no julgamento político de Donald Trump, pediram aos colegas do Senado que cumpram com seu dever e condenem o presidente republicano ao impeachment, em uma última tentativa de tirá-lo do poder, que parece fadada ao fracasso, faltando dois dias para a provável absolvição do mandatário.

"Ninguém está acima das leis nos Estados Unidos, nem mesmo o presidente", declarou um destes promotores democratas, o membro da Câmara de Representantes Jason Crow, perante os cem senadores encarregados de julgar o ocupante da Casa Branca.

"É seu dever declará-lo culpado" de abuso de poder e obstrução do Congresso, acrescentou, lembrando que a Câmara Alta do Congresso americano se propôs a ser "sábia", "imparcial" e "estar acima das disputas partidárias".

Trump "violou seu juramento", mas "ainda não é tarde demais para respeitarmos o nosso", afirmou Adam Schiff, que atua como promotor-chefe do julgamento.

Em sua última intervenção, Schiff disse aos senadores que "não se pode confiar em que este presidente faça o que é certo". "Ele não vai mudar e vocês sabem disso".

"Agora, façam justiça imparcial e condenem-no", acrescentou.

Os advogados do presidente concluíram suas argumentações, pedindo a absolvição de Trump.

"O presidente não fez nada de errado", disse aos senadores o advogado da Casa Branca, Pat Cipollone, que pediu aos presentes "recusar as acusações" contra Trump, en un mensaje destinado a senadores demócratas centristas como Joe Manchin y Doug Jones que podrían votar por la absolución del mandatario.

Após o discurso do advogado, o Senado deu início a debates formais nos quais, pela primeira vez desde o início do julgamento, os senadores puderam se pronunciar.

Durante seu discurso, Manchin estava "indeciso" sobre seu voto e apresentou uma moção de "censura" contra o presidente, uma maneira de sugerir aos colegas democratas a adoção de uma sanção menos radical contra Trump.

Por conta do calendário, as intervenções dos senadores - que continuarão na terça-feira - precederão o discurso tradicional sobre o estado da Nação, que Trump fará no Congresso à noite a todos os legisladores.

Mas as declarações da oposição e da defesa provavelmente não mudarão em nada o desenlace do julgamento. A Constituição americana exige maioria de dois terços no Senado, 67 dos 100 assentos, para destituir um presidente, e Trump pode contar com o apoio irrestrito dos 53 senadores republicanos.

Embora um ou dois senadores surpreendam ao votar contra o presidente, ele está certo de que será absolvido na quarta-feira às 16H00 locais (18h00 de Brasília), o que lhe permitirá se concentrar em sua campanha de reeleição.

Por acasos do calendário, essas intervenções vão se seguir ao tradicional discurso sobre o estado da União, que Trump fará no Congresso perante todos os legisladores na noite de terça-feira.

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