Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h56

Por AFP

A Turquia impedirá que as tropas leais ao governo de Damasco avancem para a cidade de Idlib, no noroeste da Síria - afirmou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, um dia após violentos combates entre as tropas de seu país e da Síria.

"O regime tenta ganhar terreno em Idlib, deslocando pessoas inocentes em direção à nossa fronteira. Não daremos ao regime a chance de ganhar território, porque isso aumentaria nosso fardo" de responsabilidades, disse Erdogan à imprensa turca, a bordo de um avião depois de visitar a Ucrânia.

Suas declarações acontecem um dia após violentos combates entre o Exército turco e as forças do governo Bashar al-Assad na província de Idlib. Os confrontos deixaram mais de 20 mortos em ambos os lados.

"Acredito que nossa operação lhes deu uma boa lição, mas não vamos parar. Continuaremos com a mesma determinação", disse Erdogan, citado pela agência de notícias estatal Anadolu.

O ataque sírio às forças turcas foi uma "violação" do acordo de cessar-fogo russo-turco em Idlib, afirmou Erdogan, que alertou que "haverá consequências para o regime".

O presidente turco censurou Moscou, aliado de Damasco, por não "assumir suas responsabilidades". Nesta terça-feira, ele pareceu baixar o tom, contudo, procurando não aumentar as tensões com a Rússia.

"Neste momento, não há necessidade de iniciar um conflito, ou uma grande disputa com a Rússia. Temos várias iniciativas estratégicas", desconversou Erdogan, referindo-se à associação russo-turca em vários campos, da energia ao turismo, passando pela defesa.

O presidente turco disse ainda que "poderá" ter uma conversa por telefone nesta terça-feira com seu colega russo, Vladimir Putin.

Rússia e Turquia apoiam lados opostos no conflito que assola a Síria desde 2011.

Ancara se opõe a uma ofensiva em larga escala do regime sírio em Idlib para evitar uma nova onda de refugiados na Turquia, que já abriga mais de 3,6 milhões de sírios em seu território.

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