Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h55

Por AFP

A União Europeia (UE) criticou, nesta terça-feira, o plano dos Estados Unidos para resolver o conflito entre israelenses e palestinos e expressou sua preocupação com a "perspectiva de anexação do Vale do Jordão e de outras partes da Cisjordânia", gerando rejeição de Israel.

"Nos preocupam especialmente as declarações sobre a perspectiva de anexação do Vale do Jordão e de outras partes da Cisjordânia", disse em uma declaração o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

Ele lembrou que, "em conformidade com o direito internacional", a UE "não reconhece a soberania de Israel sobre os territórios ocupados desde 1967". "Os passos para a anexação, se forem aplicados, não podem passar sem questionamento", afirmou.

Essas declarações foram respondidas com uma crítica do Ministério das Relações Exteriores de Israel, que acusou Borrell de adotar uma "linguagem ameaçadora contra Israel, logo após sua chegada ao cargo e algumas horas após suas reuniões no Irã".

"Continuar assim é a melhor maneira de garantir que o papel da UE em todo o processo seja minimizado", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lior Haiat.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou em 28 de janeiro seu plano para resolver o conflito no Oriente Médio, favorável a Israel, abrindo caminho para a anexação do vale do Jordão e mais de 130 colônias na Cisjordânia ocupada.

Washington também considera que Jerusalém é a capital "indivisível" de Israel e propõe estabelecer Abu Dis, um bairro da Cidade Santa, como a capital de um possível Estado Palestino.

O Conselho de Segurança da ONU discutirá o plano a portas fechadas na quinta-feira, dias antes da chegada a Nova York do presidente palestino Mahmoud Abbas, que o rejeita e exige a aplicação do direito internacional.

A posição da UE, a visão internacional mais difundida, é que a solução para o conflito envolve a criação de dois Estados baseados nas fronteiras de 1967, cujas capitais estariam em Jerusalém.

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