Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h51

Por AFP

Taxa de mortalidade, nível de transmissão, momento em que um paciente se torna contagioso, período de incubação: as incógnitas ainda não permitem determinar o impacto global da epidemia causada por um novo coronavírus que surgiu na China.

Mais mortal que a gripe, mas menos virulenta que as epidemias anteriores de coronavírus: esse parece ser o perigo do novo coronavírus batizado 2019-nCoV, mesmo que sua taxa de mortalidade ainda não tenha sido determinada com precisão.

Até o momento, 361 pacientes morreram em 17.200 casos confirmados na China. A primeira morte fora deste país foi registrada no domingo nas Filipinas, um chinês de 44 anos da cidade de Wuhan, dos 150 pacientes listados em 24 outros países.

"2% dos casos confirmados morreram, o que permanece alto quando comparado à gripe sazonal", disse Michael Ryan, diretor de programas de emergência da OMS.

Essa taxa é "equivalente a todas as pneumonias virais presentes no hospital. Não é um assassino de perigo extremo", minimiza Didier Raoult, diretor do IHU Méditerranée Infection em Marselha, embora reconheça que "a verdadeira gravidade dessa infecção respiratória não será conhecida até o final da história".

Não se sabe quantas pessoas estão realmente infectadas. A taxa de mortalidade indicativa diminui a cada dia, pois, proporcionalmente, o número de novos casos registrados aumenta mais rapidamente do que o número de mortes.

Um estudo publicado na sexta-feira na revista médica The Lancet estima em 76.000 (mais de dez vezes a estimativa oficial) o número de pessoas infectadas em Wuhan, o berço da epidemia, com base em projeções estatísticas.

As duas epidemias mortais anteriores causadas por um coronavírus, Sars (Síndrome Respiratória Aguda Severa) e Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), foram muito mais virulentas.

A epidemia de Sars matou 774 pessoas em todo o mundo em 2002-2003, de acordo com a OMS, incluindo 349 na China continental e 299 em Hong Kong dos 8.096 casos, com uma taxa de mortalidade de 9,5%.

Ainda em andamento, a epidemia de Mers fez 858 mortos de 2.494 casos desde setembro de 2012, uma taxa de 34,5% de mortalidade.

A gripe sazonal é muito mais mortal em números absolutos, pois mata entre 290.000 e 650.000 pessoas por ano em todo o mundo, de acordo com a OMS.

Além da periculosidade do vírus, é também sua capacidade de transmissão que determinará a gravidade da epidemia.

"Um vírus relativamente pouco agressivo ainda pode causar grandes danos se muitas pessoas o pegarem", disse Ryan.

Um dos parâmetros importantes é o número de pessoas infectadas por cada pessoa infectada, denominada "taxa básica de reprodução" (ou R0).

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