Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h51

Por AFP

Os combates nos últimos dois meses no noroeste da Síria entre tropas governamentais e grupos jihadistas e rebeldes deixaram quase 520.000 deslocados, anunciou nesta terça-feira (4) a ONU, em uma das maiores ondas de êxodo no país em guerra.

Desde dezembro, a província de Idlib e seus arredores se tornaram alvos, praticamente diários, de ataques e bombardeios aéreos do regime de Bashar al-Assad - apoiado pela aviação da Rússia -, que resultaram na reconquista de dezenas de cidades e localidades.

A violência provocou um deslocamento em massa neste último grande reduto dos jihadistas e rebeldes. Os civis abandonaram suas casas para buscar refúgio em zonas relativamente protegidas mais ao norte, perto da fronteira com a Turquia.

"Desde 1º de dezembro, quase 520.000 pessoas foram deslocadas (...), a grande maioria - 80% - mulheres e crianças", afirmou à AFP David Swanson, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

O êxodo das últimas semanas é um dos mais importantes desde o início da guerra na Síria, em 2011 que forçou o exílio de mais da metade da população, que antes do conflito era de 20 milhões de habitantes.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta terça-feira o "fim das hostilidades" entre Turquia e Síria na região de Idlib, alertando para uma "mudança na natureza do conflito extremamente preocupante".

É preciso "um fim das hostilidades antes de uma escalada que leve a uma situação totalmente fora de controle", declarou Guterres.

"Não acreditamos em solução militar na Síria. Dissemos mais de uma vez que a solução é política", afirmou.

Já o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse em um comunicado que os ataques com morteiros contra as posições turcas em Idlib eram "uma grave escalada" e que as autoridades dos EUA "apoiam plenamente as ações em defesa própria da Turquia, em resposta".

"A violência quase cotidiana provocou sofrimentos injustificáveis para centenas de milhares de pessoas que vivem na região", declarou Swanson.

A maioria dos novos deslocados viaja para áreas urbanas e acampamentos de deslocados ao noroeste de Idlib" e outros para os territórios do norte da província de Aleppo, perto da fronteira turca.

Mais da metade da província de Idlib e algumas zonas das províncias vizinhas de Aleppo, Hama e Latakia estão sob controle do grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS, ex-braço sírio da Al-Qaeda), que tolera a presença de alguns grupos rebeldes.

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