Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h46

Por AFP

Com 425 mortos na China continental, o balanço do novo coronavírus já supera o registrado pela Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave). O governo chinês admitiu que sua reação está sendo "insuficiente", e reconheceu nesta segunda-feira (3) a necessidade urgente de mais máscaras de proteção para enfrentar a epidemia.

"O que a China precisa urgentemente é de máscaras, trajes e óculos de proteção", declarou Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Vários países, incluindo França, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul, já enviaram material médico para a China, acrescentou a porta-voz.

A Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) alertou para a necessidade de que todas as máscaras usadas nos hospitais chineses durante a epidemia sejam de alta qualidade.

Questionado pela AFP em Genebra, o novo secretário-geral da FICV, o nepalês Jagan Chapagain, ressaltou que a doação de material de baixa qualidade "é mais problemática do que útil", pois as máscaras de pior qualidade dão um "falso sentimento de proteção" às pessoas.

As autoridades de saúde chinesas registraram 64 novos óbitos na terça-feira na província de Hubei, superando o recorde de dia mais letal da epidemia reportado na véspera, com 57 mortes, desde que o novo coronavírus foi detectado em dezembro em Wuhan, capital de Hubei.

Com um sistema de saúde sobrecarregado, Wuhan recebeu nesta segunda-feira os primeiros doentes no novo hospital que foi construído em 10 dias. Desde 24 de janeiro, a China corria contra o tempo para a construção desse centro de saúde, com funcionários que trabalhavam incessantemente para agilizar o processo.

Outro hospital ainda maior, com 1.600 leitos, está em construção e deve abrir as portas nos próximos dias.

Atualmente, a China continental (sem contar Hong Kong e Macau) já contabilizou mais mortes dos que as 349 causadas pela epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) em 2002-2003.

A Sars, que infectou cerca de 5.300 pessoas em vários países, deixou um total de 774 mortos, principalmente em Hong Kong.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que já declarou uma emergência internacional devido à atual epidemia, reportou nas Filipinas a primeira vítima fatal do novo coronavírus fora da China, um homem de 44 anos de Wuhan.

A maioria das mortes e infecções está concentrada em Hubei, onde cerca de 56 milhões de habitantes estão isolados do mundo desde 23 de janeiro e têm severas restrições ao deixar suas casas, na tentativa de conter a propagação.

Seus habitantes se sentem discriminados e sob constante suspeita.

Lucy Huang, uma cineasta documentarista de 26 anos que vive em Pequim e nasceu em Wuhan, diz se sentir "muito abalada". "Nosso inimigo é o vírus, não deveria ser a população de Hubei, ou Wuhan", disse à AFP.

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