Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h46

Por AFP

O Senado dos Estados Unidos deve absolver Donald Trump nesta quarta-feira, um julgamento que evidenciou a divisão do país, a firme autoridade do presidente com os republicanos e a capacidade oratória do democrata Adam Schiff, que desempenha o papel de promotor chefe.

Veja quatro lições do processo contra o milionário republicano.

O julgamento do chamado escândalo ucraniano ilustrou a profundidade das diferenças entre democratas e republicanos no Congresso, mas também as que dividem os americanos comuns sob a administração pouco ortodoxa do magnata imobiliário e ex-estrela da televisão.

Para os democratas, Trump é um líder perigoso que acredita estar acima da lei. Para os republicanos, o presidente é vítima de uma campanha orquestrada por seus inimigos para impedir sua reeleição.

Segundo as pesquisas, quase metade dos americanos deseja que Trump seja expulso da Casa Branca, uma opinião de 85% dos eleitores democratas e 10% dos republicanos.

Trump ganhou a eleição republicana em 2016. Apesar da rejeição aberta de alguns membros desse partido, hoje tem o total controle de suas tropas, às quais exige lealdade absoluta.

Em sua conta no Twitter, sua arma favorita, retribui elogios àqueles que o defendem e critica os dissidentes.

No Congresso, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, é seu aliado e mantém os legisladores do partido alinhados.

Embora dois senadores republicanos tenham votado a favor de chamar testemunhas, o que teria prolongado o julgamento, o lado de Trump finalmente venceu, deixando de lado o testemunho de pessoas como o ex-assessor John Bolton.

A polarização está prejudicando o trabalho do Congresso. Desde que os democratas recuperaram o controle da Câmara dos Deputados em 2019, centenas de leis aprovadas por esse órgão foram suspensas pelo Senado, de maioria republicana.

O impeachment apenas intensificou ainda mais a situação, o que deixa qualquer acordo entre democratas e republicanos como algo praticamente impossível.

Segundo a senadora republicana Lisa Murkowski, que acredita que o comportamento do presidente estava errado, isso impediu que o julgamento de Trump fosse justo. "Me entristece dizer que, como instituição, o Congresso fracassou", afirmou.

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