Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h45

Por AFP

Nas ruas desertas de Hangzhou, cidade do leste da China que abriga a sede da gigante do comércio eletrônico Alibaba, um alto-falante transmite instruções: "Por favor não saiam, não saiam, não saiam!".

Hangzhou, localizada a uma hora de Xangai em trem de alta velocidade, é conhecida como o lugar onde o magnata da tecnologia Jack Ma fundou um negócio on-line há duas décadas em um apartamento.

No entanto, como em muitas regiões da China que lutam para frear a epidemia do novo coronavírus, cercas verdes e placas de não passe" bloqueiam as ruas próximas à sede de uma das empreses com a maior capitalização do mundo.

A sede da Alibaba está localizada em um dos três distritos de Hangzhou nos quais as autoridades ordenaram a seus três milhões de habitantes que permaneçam confinados em casa. Apenas uma pessoa por família está autorizada a sair a cada dois dias para fazer compras.

A cidade prolongou as férias do Ano Novo lunar para tentar impedir as pessoas de saírem para as ruas.

Nas ruas ao redor, mensagens divulgadas por alto-falantes pedem às pessoas que evitem concentrações.

"Por favor, não saiam, não saiam, não saiam!", diz a voz, avisando que os habitantes devem usar máscaras, lavar as mãos regularmente e informar sobre a presença de pessoas de Hubei.

Questionado pela AFP sobre o fechamento dos escritórios, a Alibaba afirmou que estava se concentrando em "obter resultados".

A epidemia do novo coronavírus já matou 490 vidas na China e infectou mais de 24.000 pessoas, principalmente na província de Hubei, onde quase 56 milhões de pessoas estão confinadas desde o final de janeiro.

Hangzhou, com uma população de nove milhões de pessoas, registrou 141 casos confirmados.

As margens do Lago Oeste, uma das principais atrações turísticas da cidade, estavam desertas. Poucos táxis circulavam nas ruas fantasmagóricas.

Em áreas isoladas, os moradores saíam com máscaras para recuperar a comida transportada pelos entregadores, diante dos olhos atentos dos voluntários locais.

Caixas de suprimentos se amontoavam nas calçadas.

Um homem de 35 anos que diz se chamar Chen explicou que já havia acumulado mantimentos antes do final do ano, e agora era como uma luta conseguir fazer o mesmo com a comida.

"Tenho que acordar todos os dias às seis da manhã para conseguir produtos se não, não consigo nada", afirmou.

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