Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 9h45

Por AFP

O presidente americano, Donald Trump, encara nesta terça-feira (4) o discurso do Estado da União exultante após o caos nas primárias democratas de Iowa e confiante em que o julgamento político contra ele no Congresso terminará esta semana com a sua absolvição.

Trump chegará ao discurso - um marco no calendário político dos Estados Unidos - em meio ao julgamento contra ele, após uma série de escândalos que marcaram seu mandato.

Mas agora, o 45º presidente dos Estados Unidos entrará no Capitólio às 21H00 locais (23H00 de Brasília) fortalecido por uma consulta de opinião que situou seu nível de aprovação no máximo histórico de 49%, em um momento em que seus adversários democratas permanecem sem saber quem venceu as primárias de segunda-feira em Iowa.

Com vistas às eleições de novembro - nas quais Trump espera ser reeleito - estas são notícias animadoras para sua campanha horas antes de o milionário republicano fazer um discurso que a Casa Branca antecipou que vai destacar a "bonança" que seu governo ofereceu aos trabalhadores da classe operária, segundo um alto funcionário. O tom de sua fala, que será televisionada, será "otimista", afirmou.

E os problemas técnicos na hora da contagem dos votos nas primárias democratas deram ao presidente nova munição.

"Nada funciona, como quando governam o país", ironizou o presidente no Twitter, em um momento de polarização e nervosismo que não se via nos Estados Unidos em décadas.

Trump vai entrar em um plenário, onde em dezembro passado a Câmara de Representantes o acusou de abuso de poder e obstrução do Congresso, dando início ao julgamento político contra ele no Senado, onde a maioria republicana provavelmente o absolverá na quarta-feira.

A deputada Alexandria Oscasio-Cortez, uma das figuras em ascensão do Partido Democrata, anunciou que não vai assistir ao discurso de Trump.

"Depois de muita reflexão, decidi não usar minha presença na cerimônia do Estado para normalizar a conduta ilegal de Trump", disse, ao explicar que não quer legitimar o comportamento do mandatário.

A Casa Branca informou nesta terça que o ex-chefe de polícia venezuelano Iván Simonovis, que fugiu de seu país após passar 15 anos preso, estará na tribuna nesta noite.

Os Estados Unidos lideram a lista de países que não reconhecem o governo do socialista Nicolás Maduro e consideram o líder parlamentar Juan Guaidó presidente interino. Ele deixou a Venezuela para se reunir há duas semanas com o chefe da diplomacia de Washington, Mike Pompeo, em Bogotá.

Contudo, o líder opositor não se encontrou com Trump após uma turnê internacional que levou-o à Suíça durante o Fórum de Davos, onde foi recebido por líderes como o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

Outros convidados do governo são a mãe de um bebê nascido com apenas 21 semanas de gestação, um integrante da patrulha fronteiriça do Texas e um veterano da Guerra do Afeganistão.

O discurso do Estado da União foi no passado uma oportunidade de os presidentes falarem ao país e sanarem o clima de desconfiança e divisão.

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