Publicado 19 de Janeiro de 2020 - 19h05

Adriana Esteves se esforçou muito para chegar onde está. A resposta para as críticas que recebeu no início da carreira são os muitos prêmios e várias protagonistas que ela ostenta no currículo. Aos 50 anos recém-completados, ela sabe que não precisa provar mais nada. No entanto, não consegue viver estagnada. E é com curiosidade e fôlego de iniciante que ela fala de Thelma, mãe superprotetora que interpreta em Amor de Mãe. “O mais interessante da carreira de atriz é o quão tudo pode ser surpreendente. Quando você acha que já fez de tudo, vem uma personagem e faz você buscar novas referências e seguir por outros caminhos. A Thelma é de uma riqueza que impressiona. Ao mesmo tempo que ela precisa rever a relação com o filho, também tem de lidar com um aneurisma inoperável que acaba de descobrir”, explica.

Natural do Rio de Janeiro, Adriana era apenas jovem modelo quando participou de um concurso de atuação do Domingão do Faustão, em 1989, que lhe rendeu um papel pequeno na clássica Top Model. Sem desperdiçar oportunidades, fixou-se na emissora e se destacou em novelas como Meu Bem, Meu Mal e Pedra Sobre Pedra. Em seguida, também enfrentou uma enxurrada de críticas pela complexa Mariana de Renascer. Após uma breve passagem pelo SBT, retornou à Globo e ao posto de protagonista em A Indomada, de 1997. “Tudo o que passei me ajudou a ser a atriz que sou hoje” analisa Adriana, que ainda teria outros momentos de destaque em produções como Dalva e Herivelto - Uma Canção de Amor, de 2010, na popular Avenida Brasil, de 2012 e, mais recentemente, na visceral série Justiça, que acabou lhe rendendo uma indicação ao Emmy Internacional da categoria Melhor Atriz. “A vida não é só ganhar. É preciso entender isso e saber seguir em frente”, valoriza.

Se os anos 2010 de Adriana Esteves foram marcados por vilãs e tipos mais densos, a década passada foi inteiramente dedicada ao humor. A primeira experiência com o gênero foi sob a batuta de Walcyr Carrasco em O Cravo e a Rosa, de 2000, onde viveu a espevitada Catarina. “Cheguei a duvidar se conseguiria ter o 'timing' para a comédia. Era algo muito distante de mim e foi libertador.”

Com sua verve cômica descoberta, autores e diretores ficaram de olho no “passe” da atriz, que enveredou por protagonistas recheadas de humor em produções como Kubanacan, A Lua Me Disse e Toma Lá, Dá Cá. “Foi um processo intenso e muito divertido. Esses trabalhos deram leveza ao meu processo criativo. Hoje, já posso dizer que sei fazer rir um pouquinho também”, ressalta.

Embora tenha muitas louras no currículo, Adriana Esteves é do tipo que gosta de mudar de visual entre uma personagem e outra. Entre suas mudanças mais radicais estão os cortes curtos feitos para tramas como Renascer e O Cravo e a Rosa, além do cabelo cacheado para viver a vilã Sandrinha de Torre de Babel. “A caracterização sempre me ajuda muito a achar o tom da personagem. Algumas vezes, já me sinto bem de cara e em outras preciso me acostumar. Isso faz parte da minha profissão”, conta.

Em Amor de Mãe, para uma personagem misteriosa e sem grandes excessos de vaidade como Thelma, Adriana acabou escurecendo as madeixas. No dia a dia, a atriz está bem feliz em mostrar sua versão morena. Em cena, ela reforça a postura discreta da personagem com roupas retas e pouquíssima maquiagem. “Ela desistiu da própria individualidade para viver a maternidade. É uma mulher que parou no tempo.” (Da TV Press)