Publicado 06 de Dezembro de 2019 - 17h16

Por Adagoberto F. Baptista

Gilson Rei

Da Agência Anhanguera

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Um aplicativo para celulares que permite e estimula as crianças a produzir livros com um simples toque foi desenvolvido em Campinas e já começou a ser utilizado como ferramenta pedagógica em escolas.

Com o pensamento em unir o útil ao agradável - estimulando crianças ao hábito da escrita e da leitura por meio de celulares - a startup Pequenos Escritores, com sede em Campinas, criou um aplicativo que possibilita às crianças o prazer de escrever e ilustrar livros.

Com isto, o celular deixa de ser um “vilão” e passa a servir como ponte para a escrita e a leitura, hábitos que estão sendo abandonados aos poucos com as facilidades da internet, do mundo digital e da tecnologia.

Lia Montanini, mestre em Educação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), psicopedagoga e diretora da Kairós Edições, participou do desenvolvimento deste aplicativo e explicou que fotografias e atividades simples podem ser transformadas em livro digital personalizado, capaz de ser impresso ou acessado como e-book.

O programa de computador foi concebido para processar dados eletronicamente e facilitar a execução da tarefa pelo usuário, que consegue produzir um livro “brincando”.

Segundo a mestre em Educação o objetivo foi exatamente de ampliar a autoestima e interesse na leitura e escrita da criança. “Esta iniciativa poderá ir além de uma atividade educativa com o celular em casa ou na escola”, afirmou. “A criança poderá se tornar uma escritora desde as primeiras garatujas. A familiaridade com o livro ampliará sua autoestima e interesse na leitura e escrita. Crescerá amando livros e consciente de que quando for adulto poderá, sim, ser um grande escritor”, comentou.

O celular é um universo conhecido e bastante utilizado por todos, desde as crianças até os mais experientes e, com o aparelho, é possível incentivar a produção de um livro, resgatando o hábito da leitura e da escrita. “Depois de impresso, o livro vai se tornar um álbum de recordações, mas poderá ser o ponto de partida para transformar a criança em um grande escritor, quando adulto”, disse.

Lia destacou que ensinar a valorizar livros desde pequeno é de fundamental importância. “Os primeiros passos, aprendizagens e relacionamentos da criança, quando registrados, são atividades prazerosas entre professor e aluno e pai e filho. Estas atividades valorizam o lúdico e se tornam documento perene da sua história e vivência” disse. “Ter um livro publicado ainda na idade infantil é algo fantástico”, concluiu.

A educadora reforçou, ainda, que o pai ou professor cumprem um requisito importante na educação ao dispor de um tempo para montar um livro com a criança: a valorização. “Estarão mostrando que acreditam nela, em suas capacidades e que ela pode, sim, com dedicação e criatividade, chegar a grandes realizações na idade adulta”, afirmou.

Como funciona

Os livros podem ser criados em casa com o auxílio dos pais ou nas escolas com a orientação dos professores, que utilizam apenas os recursos do smartfone. A pessoa ou o responsável pela escola baixa o aplicativo no celular. Em algumas escolas o aplicativo é usado em computadores, mas podem ser feitos em smartfones ou celulares.

Professores e pais montam os livros com os alunos e os filhos a partir de um sistema prático e intuitivo “Depois de instalar o aplicativo, basta fotografar o desenho ou colagem ou até mesmo buscar por uma imagem na galeria de fotos do aparelho e inseri-la no aplicativo”, explicou. “O passo seguinte é acrescentar o texto que foi escrito pela criança, ou digitar a história que ela contar. Em questão de minutos o livro está pronto”, afirmou Lia.

O livro poderá ser impresso pela Kairós Edições, que atua em conjunto com a startup, na quantidade que a pessoa desejar, partido desde um exemplar. “Alguns pais imprimem apenas um exemplar para guardar de lembrança, mas podem fazer, depois, pedidos de outros exemplares quando desejarem”, afirmou. “Quantidades maiores de exemplares são feitas para atender familiares e amigos, entre outros”, afirmou.

RETRANCA - Projetos e Autógrafos

O aplicativo é utilizado em escolas como ferramenta em projetos pedagógicos específicos de cada instituição e de cada ano de ensino, conforme a idade dos alunos. Em algumas escolas, os livros produzidos são entregues em um evento, semelhante a um lançamento de livros, em uma “Tarde de Autógrafos”. Nestes eventos, pais e familiares reúnem-se com os filhos e com os professores da escola para que autografem os livros e sejam homenageados pelas obras escritas.

Outras escolas desenvolvem trabalhos pedagógicos, que transformam as redações dos alunos realizadas durante o ano em livros com a foto e um perfil resumido de cada aluno na edição. Várias formas poderão ser aplicadas, dependendo do projeto pedagógico de cada escola.

A coordenadora pedagógica do Colégio Genius, Aline Fonseca Modesto, disse que o aplicativo é usado em projetos desde o Ensino Infantil e passa pelo Ensino Fundamental e Médio. “A escola tem vários projetos de incentivo à leitura e este aplicativo dos Pequenos Escritores complementa o leque de trabalhos desenvolvidos”, explicou.

Segundo a coordenadora, as crianças do infantil fazem livros com imagens e fotos e contam para os professores a sua história. Os professores redigem a versão da criança e as imagens são anexadas com a participação das crianças no processo. “Outros livros, feitos com crianças maiores, tiveram propostas e temas diferentes, conforme o projeto pedagógico e as sugestões que surgem dos alunos”, disse.

Um exemplo foi o livro do Ensino Fundamental realizado com a história de cada aluno em um só livro. “Além de servir como registro de uma época, o livro incentiva a escrita e a leitura, em um processo muito rico de aprendizado, envolvendo aspectos psicológicos e de autoestima”, comentou Aline. (GR/AAN)

RETRANCA - Versões

A startup Pequenos Escritores conta hoje com duas versões de aplicativos: a corporativa, desenvolvida para ser utilizada em escolas; e a particular, utilizada pelos pais. Assim que o aplicativo foi desenvolvido, uma série foi implantada em algumas escolas e igrejas de Campinas e de Valinhos no final de 2018.

Atualmente, o aplicativo conta com mais de 2 mil crianças escritoras. Já a versão de aplicativo particular foi lançada há um mês e já existe procura entre pais e filhos que têm o conhecimento da novidade.

Apesar de ter seu escritório instalado em Campinas, a Pequenos Escritores já ultrapassou fronteiras, entregando livros também para crianças dos estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Rio de Janeiro. Prefeituras de alguns municípios já buscaram a startup para negociar a implantação do aplicativo em projetos pedagógicos de toda a rede escolar.

O link particular para usar o aplicativo não tem custo para a pessoa física e basta apenas comprar o livro impresso ou o e-book com a Kairós Edições, que atua em conjunto com a startup. Nas escolas, o link é adquirido via contrato e os pais dos alunos pagam pelos livros impressos ou pelo e-book. (GR/AAN)

FRASE:

“O pai e o professor cumprem um requisito importante na educação ao dispor de um tempo para montar um livro com a criança: a valorização. Mostram que acreditam nela, em suas capacidades e que ela pode chegar a grandes realizações na idade adulta”, Lia Montanini, mestre em Educação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista