Publicado 06 de Dezembro de 2019 - 14h08

Por Adagoberto F. Baptista

Alenita Ramirez

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Foto: ????? arquivo do juiz

Os três adolescentes de 17 anos acusados de espancar outro da mesma idade perto da Sociedade Hípica de Campinas, no início de setembro deste ano, terão que prestar serviços comunitários por seis meses. A determinação foi concedida na tarde desta quinta-feira (5) pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Nelson Augusto Bernardes. Pela decisão do magistrado, os três jovens vão ter que destinar quatro horas semanais a um serviço comunitário. Segundo os advogados, ainda cabe recurso.

A determinação ocorre 55 dias após os três acusados serem colocados em liberdade assistida. Eles chegaram a ficar 21 dias internados em unidades da Fundação Casa do município. Um deles é filho de um advogado criminalista.

O caso

O crime aconteceu no dia 2 de setembro e ocorreu por conta de um beijo. A vítima era amigo de uma garota que era ex-namorada de um dos suspeitos, o filho do advogado. Dois dias antes, o garoto e a moça participaram de uma festa e os dois deram um beijo. Um amigo do ex casal viu e contou para o agressor, que chamou dois colegas para “conversar” com a vítima, que é filho de um diretor de empresas e mora nas proximidades da Hípica. Ele foi abordado pelo trio quando saia de casa para ir na academia.

O garoto foi perseguido e agredido pelos três jovens. A vítima sofreu traumatismo na face e quebrou o nariz e chegou a passa por cirurgia.

Imagens registradas por câmeras de segurança do clube mostraram as agressões. As imagens também exibem que o advogado, pai do ex-namorado da menina, transportou os três até a casa da vítima e ainda acompanhou a ação dos suspeitos. Ele negou participação. Uma denúncia contra ele foi feita pelo Ministério Público (MP) e corre em segredo de justiça.

O advogado Daniel Bialski, que representa o adolescente J.P.B.S., informou por nota nesta manhã que “a decisão reconheceu que a lesão corporal foi leve e embora não tenha reconhecido a legítima defesa da honra invocada por nós, deixou pontuado que existem indícios de injusta provocação. Não obstante o respeito para com o juiz prolator da decisão, recorreremos da sentença, buscando a absolvição do jovem”.

O defensor Alexandre Sanches Cunha afirmou que está analisando a sentença. “A medida sócio-educativa não é pena. A lei do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é prática, ou seja, os artigos entram propositadamente em ordem de importância e logo no artigo 1º diz que seja resguardada a proteção integral do adolescente”, disse.

O advogado Rodrigo Almeida, que representa outro adolescente foi procurado, mas não deu retorno.

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Adagoberto F. Baptista