Publicado 05 de Dezembro de 2019 - 15h20

Por Adagoberto F. Baptista

Alenita Ramirez

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Foto: Wagner Divulgação

O aumento no preço da carne bovina nas últimas semanas pode ter provocado um efeito inesperado: a volta do registro de furtos de gado na região de Campinas. Só nesta semana, o 12º Distrito Policial (DP) de Campinas, localizado no distrito de Sousas, registrou três boletins de ocorrências, com denúncias de sitiantes e fazendeiros sobre furtos de animais. No total, ao menos sete cabeças de gado para corte foram levados por bandidos. Em outra situação, o animal foi abatido no pasto e teve a carne retirada. A polícia já trabalha com a hipótese de que os crimes sejam consequência do alto preço da carne no mercado brasileiro. “Estranhamos porque neste ano não houve registro de furto de gados e as próprias vítimas nos relataram”, comentou o investigador-chefe, Marcelo Hayashi.

Além dos sete animais furtados em Sousas, outros 20 foram levados de uma propriedade em Pedreira, no limite com Campinas.

Os proprietários dos animais acreditam que o furto ocorreu durante o final de semana passado. O crime foi descoberto durante contagem. Um dos donos, que pediu para não ser identificado, disse que percebeu a falta de cinco gados quando o administrador foi contar os animais no pasto. “Os gados são marcados e logo que constatamos a falta, registramos o furto”, contou, frisando que já registrou ao longo de 15 anos, ao menos 50 boletins. “Já fazia mais de um ano que não havia furtos. Além do fim de ano, eu acho que o preço alto da carne fez que voltasse os crimes”, comentou a vítima.

A suspeita é de que os criminosos invadem os pastos, encurralam os gados com o uso de cavalos e os levam até a estrada, onde os colocam em caminhões. As ações sempre ocorrem entre final da noite e madrugada.

Em alguns casos, os criminosos atiram no gado e os deixam caídos por um certo tempo. Depois voltam no local e retiram a carne, deixando a carcaça no local. Em um dos casos recentes, a vaca estava prenha e o filhote foi deixado morto ao lado do que sobrou da mãe. “Os criminosos usam requintes de crueldade, para retiram as partes nobres do animal”, contou Hayashi. “Junto com fazendeiros e sitiantes, vamos restruturar o sistema de segurança nas propriedades para conter este tipo de crime”, frisou o investigador-chefe.

Com base nas denúncias, os investigadores conseguiram localizar em um sítio, dentro de um condomínio de chácaras, duas vacas e um bezerro com marcas usadas por uma das vítimas, para identificação de seus animais. O dono do local não foi localizado, no entanto, um eletricista, que mora vizinho, assumiu a propriedade dos animais. Segundo Hayashi, o suspeito informou que os três animais foram achados perambulando na estrada em julho deste ano. No entanto, eles tinham marcas, que foram reconhecidas pela vítima desta semana. “As investigações seguem para identificarmos os locais onde são descarregados e os matadouros clandestinos”, falou.

O eletricista foi detido, indiciado e está à disposição da Justiça. Os animais recuperados foram devolvidos ao dono.

Além dos três animais, no sítio também haviam outros 17 gados, os quais o sitiante terá que comprovar de quem os comprou.

O prefeito de Pedreira, Hamilton Bernardes Júnior, que já teve animais furtados de uma propriedade, afirmou que foi feito um grupo de segurança entre proprietários das cidades vizinhas para troca de informações e até mesmo para acionar a polícia em casos de suspeitas. “A polícia está fazendo um excelente trabalho e parabenizo as corporações dessas cidades pelo trabalho que vem fazendo para combater esse crime nas propriedades rurais. Tenho certeza que logo esses criminosos estarão todos identificados e presos”, disse.

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Adagoberto F. Baptista