Publicado 05 de Dezembro de 2019 - 16h11

Por Adagoberto F. Baptista

Frase:

“Os mosquitos circulam em uma área de até 100 metros do foco de nascimento. Portanto, se existe o mosquito na casa é porque o foco deve estar muito próximo e pode ser eliminado”, Andrea Von Zuben, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa)

SAIBA MAIS - Estatísticas elevadas

Desde o início deste ano, circula o vírus tipo 2 da dengue, agente infeccioso que já provocou até o mês passado cinco mortes e foi confirmado em 26.260 casos na cidade, o segundo maior em número de registro no Estado de São Paulo. Além disso, Campinas registra neste ano a terceira maior epidemia de dengue da história, perdendo apenas para 2014, quando 42.109 pessoas foram infectadas e para 2015, que chegou ao recorde de 65.634 registros confirmados.

Gilson Rei

Da Agência Anhanguera

[email protected]

Com risco de índices elevados de dengue em Campinas nos próximos meses, o combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti no próximo Verão será o foco principal da Prefeitura, que convoca a população a fazer sua parte e evitar recordes históricos de mortes e infestação da doença.

O Verão e o período de chuvas estão bem próximos e, com isso, crescem as condições para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya - doenças que podem gerar mortes e enfermidades como microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré - uma doença grave do sistema nervoso.

Andrea Von Zuben, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), da Secretaria de Saúde de Campinas, explicou que a maior preocupação com a dengue em Campinas tem como justificativa o volume elevado de registros em 2019 e a existência de um tipo de mosquito diferente dos mosquitos que circularam em anos anteriores.

O fator climático que se apresenta neste ano preocupa também porque, segundo Andrea, nestas condições de temperaturas mais altas, o tipo 2 do Aedes é mais ativo, consegue se reproduzir mais rápido e as fêmeas conseguem colocar mais ovos e picar mais pessoas. “O inverno já foi quente e já ocorreram muitos casos neste período”, alertou. “Com as chuvas e o calor a tendência é de aumentar a incidência, piorando a situação”, afirmou.

Eliminar é preciso

Andrea disse que o risco de haver um crescimento no número de casos é grande porque o vírus em circulação neste ano é sorotipo 2, vírus que a maior parte da população de Campinas não está imunizada. Segundo a diretora, o vírus tipo 2 da dengue há muitos anos não estava presente no Estado de São Paulo e a ocorrência preocupa, pois muitas pessoas nunca tiveram contato com o vírus, estando assim mais suscetíveis à infecção e a quadros mais graves da doença, podendo até levar à morte.

O número de criadouros é a maior preocupação. “A melhor forma de combate a dengue é eliminar estes focos e existe um trabalho intenso para eliminar estes criadouros”, afirmou Andrea. Um levantamento inédito de técnicos da Secretaria de Saúde de São Paulo detectou que em cada imóvel do Estado existem, em média, 2,5 criadouros de Aedes.

Cerca de 80% dos focos estão presentes em ambientes domésticos. Em geral, são pequenos recipientes como pratos de vasos de plantas, latas, garrafas plásticas, pneus e outros objetos esquecidos nos quintais, a céu aberto. “Por isso é importante haver participação da população e haver a autoconsciência para combater os focos”, disse.

Há uma recomendação que está sendo trabalhada nesse sentido, pois os agentes estão recomendando que as pessoas gastem dez minutos por semana para fazer uma checagem geral em suas residências e eliminar água parada nas diversas formas.

Os mosquitos circulam em uma área de até 100 metros do foco de nascimento. “Portanto, se existe o mosquito na casa é porque o foco deve estar muito próximo e pode ser eliminado com uma vistoria. Por isso, é importante a população agir”, afirmou Andrea.

Equipes

O trabalho de conscientização nos bairros, com visitas técnicas dos agentes ocorrem diariamente e existem uma equipe de 1 mil profissionais em diversas frentes. Além das visitas diárias nos bairros, equipes realizam mapeamento dos registros e desenvolvem campanhas específicas para aquela região.

Há um trabalho diário também em locais de grande circulação de pessoas como rodoviária, terminais de ônibus, shoppings, mercados, parques e áreas públicas entre outros locais.

Um Comitê Municipal de Controle das Arboviroses formado para o combate envolve agentes de todas as secretarias e autarquias da Prefeitura, desde Educação e saúde até a Sanasa com atividades de conscientização e até de limpeza de focos.

Entre as ações de combate ao mosquito e à doença, o Comitê Municipal de Controle das Arboviroses realizará, no dia 14 de dezembro, sábado que vem, a Caminhada “Todos contra a Dengue” na região de Barão Geraldo. O mesmo deverá ocorrer em outras regiões da cidade.

A mobilização foi motivada pelo grande número de casas fechadas e abandonas. Contará com a participação dos agentes da Secretaria de Saúde, Defesa Civil, Educação, Cultura, Transforma Campinas e Secretaria de Serviços Públicos, além de organizações não governamentais.

RETRANCA - Nebulizador

Além de eliminar os criadouros, outras medidas complementares estão sendo adotadas. Quase oito meses depois de abandonar o uso de nebulizador para combater o mosquito Aedes aegypti, a Prefeitura de Campinas decidiu retomar esta medida antidengue, utilizando inseticida menos eficaz no mês passado. A nebulização estava interrompida desde abril deste ano e será feita quando o mapeamento de casos apontar a necessidade.

A Secretaria de Saúde iniciou o processo de compra de inseticida Piretróide para substituir o Malation, que vinha sido usado pelo governo federal no trabalho de combate ao mosquito, mas teve o envio suspenso aos municípios por problemas de contrato com o fornecedor.

O Piretróide é um inseticida usado na agricultura, com resultados efetivos contra diversas pragas e é muito utilizado em residências como repelentes. O produto é menos tóxico que o Malation, mas também é menos eficiente. Produz efeitos que variam entre 55% e 60%, comparado ao Malation. Mesmo assim, a Prefeitura decidiu comprar o Piretróide para não ficar mais tempo sem a aplicação. Ao todo, a Prefeitura investiu R$ 11,5 mil e deverá contemplar uma área equivalente a 20 mil imóveis. O uso de drone ainda está sendo avaliado e passando por um processo de aprendizagem e não será utilizado neste ano. (GR/AAN)

QUADRO - Dengue - Guerra aos mosquitos

Aquários - Tampe com tela fina ou tenha peixes que comam larvas.

Balanço feito de pneu - Faça um furo na base para evitar acúmulo de água.

Baldes - Guarde com a abertura para baixo e em local coberto.

Bromélias - Regue com mangueira de pressão duas vezes por semana.

Caixas de água - Mantenha completamente tampadas, sem vãos.

Calhas - Mantenha limpas para não entupir ou acumular água.

Entulho - Latas vazias, plásticos e lonas podem criar reservatórios de água parada. Elimine-os.

Lajes - Desentupa os pontos de saída para a água não empoçar.

Lonas de piscina - Ponha bóias sob a lona para evitar água de chuva empoçada.

Piscinas - Não há risco se a água estiver tratada. Do contrário, são verdadeiros berçários de mosquitos.

Pneus - Guarde em local coberto e seco. Se estiverem molhados, enxugue a água e jogue um pouco de sabão em pó dentro.

Pratos de vasos - Elimine ou encha de areia até a borda.

Ralos - Coloque água sanitária ou desinfetantes se houver água parada.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista