Publicado 05 de Dezembro de 2019 - 14h15

Por Daniel de Camargo

Daniel de Camargo

AGÊNCIA ANHANGUERA

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FOTOS: ARQUIVO

A Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas (OSMC) realiza hoje e amanhã, concertos especiais pela paz marcando um ano do atentado na Catedral Metropolitana de Campinas, que resultou na morte de cinco pessoas. Ambas as apresentações serão gratuitas e tem início previsto para as 20h.

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), destacou que a OSMC é o símbolo maior da cultura do Município. "Compareçam com as suas orações, para que possamos ter mais paz na nossa sociedade e também para que o próximo ano seja abençoado”, disse o chefe do Executivo.

A regência dos concertos será do maestro titular e diretor artístico da OSMC, Victor Hugo Toro. As apresentações contarão com as participações dos solistas convidados Gabriella Pace (soprano), Luisa Francesconi (mezzo soprano), Giovanni Tristacci (tenor) e Fellipe Oliveira (barítono), e dos grupos de canto Madrigal Vivace, Coro Contemporâneo de Campinas e Collegium Vocale Campinas.

O repertório reunirá duas obras emblemáticas: a "Cantata 161", de Johann Sebastian Bach, e o "Réquiem", uma missa fúnebre de Wolfgang Amadeus Mozart, a última composição desse genial compositor. “Ambas são peças sacras fundamentais para a história da música clássica, pois trazem o espírito de conforto, recolhimento e serenidade", destaca o maestro Toro.

INTERTÍTULO: ATENTADO

Em 11 de dezembro de 2018, Euler Fernando Grandolpho, que tinha 49 anos na ocasião, entrou na Catedral Metropolitana de Campinas e abriu fogo após uma missa. No ataque, vitimou cinco pessoas, sendo que quatro morreram no ataque e a quinta no hospital no dia seguinte. O atirador ainda feriu outras quatro pessoas, antes de se suicidar. Segundo o inquérito da Polícia Civil, que foi encerrado com mais de 500 páginas, cerca de 20 laudos e análises, além de diversas imagens, o atirador agiu sozinho. A arma utilizada na chacina tinha numeração raspada e teria sido comprada no Paraguai, no mercado negro. Durante as investigações, foi constatado que Grandolpho, que residia em Valinhos, mantinha uma espécie de diário onde anotava placas de carros e informações diversas remetendo a supostas perseguições a ele. Familiares confirmaram a polícia que ele chegou a fazer um tratamento para depressão.

BOX: MISSA SERÁ CELEBRADA NA QUARTA

Na próxima quarta-feira, quando o atentado completará exatamente um ano, haverá uma missa às 12h15 em homenagem às vítimas da tragédia na Catedral. A presidência será do monsenhor Rafael Capelato, pároco da Catedral Metropolitana de Campinas. O ataque, comentou, gerou uma ferida em Campinas. "Foi um momento de muita dor", recordou. O episódio, analisa, fez a comunidade local experimentar os desiquilíbrios humanos, da sociedade, a sensação de medo e insegurança. Contudo, o sacerdote afirma que, ao mesmo tempo e em maior intensidade, foi possível vivenciar a força da vida, esperança e solidariedade. No período, lembra, muitos se propuseram a ajudar. Inclusive, profissionais necessários em momentos críticos como psicólogos. "Além disso, muitos ajudaram em oração", enfatizou. Capelato assegura que ao contrário do previsto por alguns, os fiéis não se afastaram da Catedral. Pelo contrário, se fizeram ainda mais presentes. "A cruz não é derrota, mas um trampolim para a vida", disse. "Aprendemos do próprio Cristo: da sua mansidão, serenidade e amor por todos, que não podemos desistir jamais. O reino de Deus está plantado entre nós e cresce como o trigo no meio do joio", contextualizou. Quase um ano depois, pontua o monsenhor, a Catedral permanece viva, aberta e acolhendo todos que por ela passam. "Continuamos em oração pelas famílias", encerrou.

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