Publicado 04 de Dezembro de 2019 - 15h13

Por Adagoberto F. Baptista

Alenita Ramirez

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Foto: Divulgação - enviei material no e-mail do digitalrac para os fotografos salvarem

Um piloto morador em Americana foi preso na manhã de ontem, durante a operação Voo Baixo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) de São Paulo, de combate ao tráfico internacional de drogas. Ao todo, foram expedidos 46 mandados judiciais, sendo 14 de prisão e 33 de busca e apreensão em seis estados: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Santa Catarina, Mato Grosso e Minas Gerais. Campinas e Americana estavam entre as cidades paulistas alvos da investigação.

Na operação foram presos seis pilotos, o líder da organização e a mulher dele, e pessoas responsáveis por dar suporte a logística do transporte, fornecimento de combustível para aeronaves, preparo das pistas para pouso, recebimento e armazenamento da droga. No total 11 pessoas foram presas e três estão foragidas, inclusive o alvo que é de Campinas. Os nomes e locais da ação não foram informados.

De acordo com os delegados Marcelo Ivo e Fabrício Galli as investigações contra a quadrilha teve início em maio do ano passado, com base em manuscritos apreendidos em prisões em 2011, na Operação Deserto, na qual o sogro do empresário, então chefão do tráfico, foi preso pela PF. Com a morte do suspeito, o empresário assumiu a liderança.

O grupo era responsável pelo tráfico de cocaína pura da Bolívia e usava aviões, carros e até navios para levar o entorpecente para a Europa. Segundo os delegados, 85% da droga era exportada. Não foi informado valores, mas segundo os policiais o grupo transportava cerca de 1,5 tonelada de cocaína por mês.

A droga era trazida para o Brasil através de aviões privados até bases localizadas em fazendas do Mato Grosso do Sul e depois para chácaras e pequenos sítios no interior paulista. Ao menos 19 aeronaves foram identificadas pela PF e apreendidas durante as investigações – ontem foram 11. A maioria tinha registro (apenas uma delas não tinha autorização da Força Aérea e foi abatida durante voo) e pousava em bases clandestinas.

Depois de levadas para as pequenas propriedades localizadas no interior de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, a droga era transportada em carros com compartimentos específicos até Santos, onde eram embarcadas no Porto para a Europa. “Essa foi apenas uma parte da investigação, que segue”, disse Galli, frisando que o grupo transportava a droga para negociação dos integrantes, com destino a Europa. “O valor chega ao Brasil com 300% do valor do país de origem e chega na Europa com cinco mil por cento do valor”, comentou o delegado.

O líder se apresentava como empresário e dono de fazendas no Mato Grosso do Sul. Ele e a mulher foram presos em São José do Rio Preto, na casa deles.

Ao longo da investigação foram apreendidas 2,6 toneladas de cocaína. Os investigados serão indiciados pela prática de crimes de tráfico de drogas (artigo 33, parágrafo 1º, inciso I, da Lei 11.343/06) e associação para o tráfico de drogas (artigo 35 da mesma lei), com penas de 05 a 15 anos e multa e 03 a 10 anos e multa, respectivamente e também por lavagem de dinheiro, já que foram descobertas empresas de fachadas. No total, 22 pessoas foram presas desde o início das apurações. “A Bolívia tem participação na produção da cocaína, ao lado do Peru e Colômbia. Só a Colômbia produz 1,4 mil toneladas por ano. Depois vem a Bolívia e Peru, com 600 a 700 toneladas por ano”, disse Ivo. “O grupo era bem estrutura e não integrava nenhuma cadeia do tráfico internacional”, frisou o delegado.

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Adagoberto F. Baptista