Publicado 06 de Dezembro de 2019 - 19h05

Mulher sem Fim é uma experiência solo de Andréia Nhur, em parceria com os núcleos artísticos Katharsis Teatro e Pró-Posição Dança, respectivamente de São Paulo e Sorocaba. O trabalho mostra um recorte da pesquisa da artista junto aos dois coletivos nos últimos 14 anos, investigando forma e sentido como agenciamentos do corpo em estados múltiplos e descontínuos.

Em Mulher sem Fim, uma artista-mulher-cis ( artista que se define pelo gênero feminino e que também nasceu com o sexo feminino, por isso é mulher-cis e não mulher trans) apresenta inúmeras versões de si mesma, transitando entre dança, teatro, música e performance para edificar um corpo constantemente trespassado por ecos de mulheres presentes nas memórias de diversas culturas.

De Madame Bovary a Lady Macbeth, passando por Dadá, a cangaceira, e por Carmen Miranda, o trabalho traça uma dramaturgia da transformação corpórea de uma performer que desenha e apaga sua própria condição de gênero, se valendo de citações de outras mulheres.

Andréia explica que, num museu, encontra um quadro com uma mulher igualzinha a ela, que olha para um outro quadro, com outra mulher idêntica a ela ad infinitum. Todas as mesmas mulheres, falando outras línguas. Constituído por pequenos fragmentos narrativos, falados e cantados em diversos idiomas, o trabalho suscita olhares, imagens e discussões acerca do gênero feminino como agregado de convenções, memórias e estereótipos. Espetáculo tem texto, criação e performance de Andréia Nhur, com os colaboradores permanentes Janice Vieira, Paola Bertolini e Roberto Gill Camargo, que também é responsável pela iluminaçao. (Da Agência Anhanguera)