Publicado 05 de Dezembro de 2019 - 5h30

Biochess, que na tradução do inglês significa "Xadrez da Vida", é o nome da empresa coordenada pela engenheira agrônoma Angélica Machado Pitelli Merenda, uma spin-off do Instituto Centro de Gestão e Tecnologia de Informação (CGTI).

Como sugere o nome, a missão da empresa é estudar e implantar o Manejo Integrado de Vegetação (MIV), em áreas não agrícolas, com objetivo de reduzir impactos ambientais. "Estamos falando em mover as peças de modo estratégico para ganharmos o jogo que, neste caso, é em defesa do meio ambiente e da sustentabilidade", resume Angélica, uma das sócias da BioChess.

Segundo ela, a tarefa pode parecer simples, mas exige bastante estudo e tecnologia. Isso porque o foco de trabalho está justamente em áreas não agrícolas, sendo exemplos áreas de vegetação debaixo de linhas de transmissão e distribuição de energia, ferrovias, gasodutos e até mesmo zonas urbanas (ainda em fase de teste), exige maior planejamento e utilização de tecnologia em prol da sustentabilidade ambiental.

Assim, a BioChess oferece consultoria às empresas para manejo correto de vegetação. A técnica já é bastante utilizada nos Estados Unidos, de acordo com Angélica, porém, está no Brasil apenas desde 2016.

"Estudos norte-americanos apontam vários benefícios. Um deles é que a manutenção e o manejo da vegetação desejável, evitando o solo nu, ajudam na redução de emissão de CO2. Com a opção da manutenção das espécies mais adequadas é reduzido o número de roçadas e você tem um equilíbrio da flora nas faixas de linhas de transmissão e distribuição elétrica e na respectiva fauna, o que é muito positivo", diz.

De acordo com os responsáveis pela BioChess, o manejo é feito através de controle seletivo de vegetação eliminando apenas as espécies cujo hábito de crescimento e porte ofereçam riscos à segurança operacional e preservando o meio ambiente.

"Nós utilizamos técnicas eficientes de diagnose e monitoramento, além de ferramentas como herbicidas, devidamente registrados para uso em áreas não agrícolas pelos órgãos ambientais responsáveis, capazes de preservar o desenvolvimento normal da biota vizinha ao ponto de aplicação".

O uso de herbicidas é, na visão de Angélica, um dos grandes desafios da técnica devido ao receio das empresas com o uso de produtos do gênero. "Nós entendemos que é preciso ter cautela, porém, estamos falando de uma técnica que é utilizada nos Estados Unidos há 60 anos. Além disso, temos que considerar que o avanço tecnológico nos permite ter o conhecimento exato de quantidade e técnica de uso de herbicidas com garantias de não ser prejudicial".

Ela garante, entretanto, que a metodologia aplicada é reconhecida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e os herbicidas utilizados são devidamente registrados junto aos órgãos federais competentes para essa finalidade. Além disso, a empresa é aceita pelos órgãos estaduais de meio ambiente como sendo um processo mais interessante para a fauna e flora existentes.

Exemplos

Um exemplo de como o trabalho da BioChess se aplica está no excesso da espécie leucenas nas margens do Rio Piracicaba. Recentemente, técnicos do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí alertaram para o crescimento desmedido da planta e suas consequências para a vegetação local. Universidades da região estudam como resolver o impasse.

"Existem muitas maneiras de se antecipar a problemas como esse. Problemas que somente hoje, com a tecnologia, é que conseguimos prever. Imagine os estragos de uma vegetação inadequada, por exemplo, em cima de gasodutos ou mesmo nas linhas férreas?".

A BioChess concentra-se em estudar, agora, como ser útil em áreas urbanas a partir do uso de reguladores de crescimento — ainda sem registro para uso não agrícola no Brasil.

"Nos Estados Unidos, esse produto é aplicado nas arvores que passam crescer em um ritmo menor. Com isso, as administrações ou empresas diminuem custo de poda e afins, sem deixar de ter o ganho proporcionado pela vegetação urbana".

O manejo integrado de vegetação ainda compreende a eliminação de espécies de risco. Quando, por exemplo, o olhar está no setor elétrico, algumas espécies de plantas poderiam aumentar a propagação do fogo, em caso de incêndio. "Quando você faz o manejo consciente, você projete toda a comunidade arbustiva de porte baixo daquela área, criando um habitat para os animais, com equilibro de espécies, melhor cobertura do solo, evitando erosão e demais riscos".

ATUAÇÃO TÉCNICA EM VEGETAÇÕES

4 Macrófitas aquáticas em espelhos d’água e reservatórios;

4 Campos solares;

4 Sob linhas de transmissão e de distribuição de energia (Rural e Urbana);

4 Brita e talude de subestações de energia e usinas hidrelétricas;

4 Pátios de indústrias e pavimentos;

4 Espécies exóticas em áreas protegidas;

4 Margens de rodovias e estradas;

4 Leitos de ferrovias;

4 Entorno de pistas de aeroportos;

4 Plantas solares e parques eólicos;

4 Sob linhas de servidão de gasodutos e petrodutos;

4 Prevenção de erosões;

4 Prevenção de incêndios.