Publicado 05 de Dezembro de 2019 - 5h30

O Brasil teve uma leve melhora nas pontuações de leitura, matemática e ciências no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), mas apenas dois a cada 100 estudantes atingiram os melhores desempenhos em pelo menos uma das disciplinas avaliadas. Os resultados da avaliação foram divulgados na última terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Pisa, considerado o principal ranking de educação no mundo, foi aplicado em 79 países a 600 mil estudantes de 15 anos. No Brasil, cerca de 10,7 mil estudantes de 638 escolas fizeram as provas. O País obteve, em média, 413 pontos em leitura, 384 pontos em matemática e 404 pontos em ciências. Na última avaliação, aplicada em 2015, o Brasil obteve 407 em leitura, 377 em matemática e 401 em ciências.

As pontuações obtidas pelos estudantes colocam o Brasil no nível 2 em leitura, nível 1 em matemática e também no 1 em ciências, em uma escala que vai até 6. Pelos critérios da OCDE, o nível 2 é considerado o mínimo adequado. Ao todo, quase metade, 43,2% dos estudantes brasileiros, ficaram abaixo do nível 2 nas três disciplinas avaliadas. Na outra ponta, apenas 2,5% ficaram nos níveis 5 e 6 em pelo menos uma das disciplinas.

O desempenho na avaliação posicionou o Brasil no 57 lugar entre os 77 países e regiões com notas disponíveis em leitura, na 70 posição em matemática e na 64 posição em ciências, junto com Peru e Argentina, em um ranking com 78 países. China e Singapura lideram os rankings das três disciplinas. O Brasil, nos três, fica atrás de países latino-americanos como Costa Rica, Chile e México. Supera, no entanto, Colômbia e Peru em leitura e a Argentina em leitura e matemática.

Obviamente que há uma série de implicações que não são levadas em conta quando se compara regiões, países e culturas diferentes. Do ponto de vista didático e científico, rankings destas dimensões têm sério risco de gerar distorções, provocando interpretações apressadas. Como não considerar históricos e poderios de Brasil e Finlândia, por exemplo? Há educadores críticos do Pisa, pois o consideram incompleto.

Por outro lado, não deixa de ser um termômetro. Não é preciso análise profunda para constatar que a educação no País segue no retrovisor. O que se pode aferir é que cabe ao governo Bolsonaro (cuja gestão, aliás, não foi avaliada pelo Pisa) mostrar que, realmente, a educação é prioridade. Que será tratada com zelo e que o apreço à ciência e à pesquisa terá de ser essencial. Só isso já seria um bom começo. A conferir.