Publicado 08 de Dezembro de 2019 - 11h39

Por Gilson Rei

Sofia Souza Silva, 6 anos, comemora a edição de Meu Primeiro Livro<, que traz desenhos e história que levam sua assinatura: atividades valorizam o lúdico e se tornam um documento perene, aponta educadores

Wagner Souyza/AAN

Sofia Souza Silva, 6 anos, comemora a edição de Meu Primeiro Livro<, que traz desenhos e história que levam sua assinatura: atividades valorizam o lúdico e se tornam um documento perene, aponta educadores

Um aplicativo para celulares que permite e estimula as crianças a produzir livros com um simples toque foi desenvolvido em Campinas e já começou a ser utilizado como ferramenta pedagógica em escolas.

Com o propósito de unir o útil ao agradável — estimulando crianças ao hábito da escrita e da leitura por meio de celulares — a startup Pequenos Escritores, com sede em Campinas, criou um aplicativo que possibilita às crianças o prazer de escrever e ilustrar livros.

Com isso, o celular deixa de ser um vilão e passa a servir como ponte para a escrita e a leitura, hábitos que estão sendo abandonados aos poucos com as facilidades da internet, do mundo digital e da tecnologia.

Lia Montanini, mestre em Educação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), psicopedagoga e diretora da Kairós Edições, participou do desenvolvimento deste aplicativo e explicou que fotografias e atividades simples podem ser transformadas em livro digital personalizado, capaz de ser impresso ou acessado como e-book.

O programa de computador foi concebido para processar dados eletronicamente e facilitar a execução da tarefa pelo usuário, que consegue produzir um livro “brincando”.

Segundo a mestre em Educação o objetivo foi exatamente de ampliar a autoestima e interesse na leitura e escrita da criança. “Esta iniciativa poderá ir além de uma atividade educativa com o celular em casa ou na escola”, afirmou. “A criança poderá se tornar uma escritora desde as primeiras garatujas. A familiaridade com o livro ampliará sua autoestima e interesse na leitura e escrita. Crescerá amando livros e consciente de que quando for adulto poderá, sim, ser um grande escritor”, comentou.

O celular é um universo conhecido e bastante utilizado por todos, desde as crianças até os mais experientes e, com o aparelho, é possível incentivar a produção de um livro, resgatando o hábito da leitura e da escrita. “Depois de impresso, o livro vai se tornar um álbum de recordações, mas poderá ser o ponto de partida para transformar a criança em um grande escritor, quando adulto”, disse.

Lia destacou que ensinar a valorizar livros desde pequeno é de fundamental importância. “Os primeiros passos, aprendizagens e relacionamentos da criança, quando registrados, são atividades prazerosas entre professor e aluno e pai e filho. Essas atividades valorizam o lúdico e se tornam documento perene da sua história e vivência” disse. “Ter um livro publicado ainda na idade infantil é algo fantástico”, concluiu.

A educadora reforçou, ainda, que o pai ou professor cumprem um requisito importante na educação ao dispor de um tempo para montar um livro com a criança: a valorização. “Estarão mostrando que acreditam nela, em suas capacidades e que ela pode, sim, com dedicação e criatividade, chegar a grandes realizações na idade adulta”, afirmou.

Sofia Souza Silva, 6 anos, contou a história sobre suas atividades durante uma semana e a professora transcreveu as informações, fez umas fotos e juntou aos desenhos da escritora mirim. Todo o trabalho se transformou em Meu Primeiro Livro.

 

 

 

Recursos do smartphone podem ser baixados com facilidade

Os livros podem ser criados em casa com o auxílio dos pais ou nas escolas com a orientação dos professores, que utilizam apenas os recursos do smartphone. A pessoa ou o responsável pela escola baixa o aplicativo no celular. Em algumas escolas o aplicativo é usado em computadores, mas podem ser feitos em smartphones ou celulares.

Professores e pais montam os livros com os alunos e os filhos a partir de um sistema prático e intuitivo “Depois de instalar o aplicativo, basta fotografar o desenho ou colagem ou até mesmo buscar por uma imagem na galeria de fotos do aparelho e inseri-la no aplicativo”, explicou. “O passo seguinte é acrescentar o texto que foi escrito pela criança, ou digitar a história que ela contar. Em questão de minutos o livro está pronto”, afirmou Lia.

O livro poderá ser impresso pela Kairós Edições, que atua em conjunto com a startup, na quantidade que a pessoa desejar, partido desde um exemplar. “Alguns pais imprimem apenas um exemplar para guardar de lembrança, mas podem fazer, depois, pedidos de outros exemplares quando desejarem”, afirmou. “Quantidades maiores de exemplares são feitas para atender familiares e amigos, entre outros.

Escrito por:

Gilson Rei