Publicado 08 de Dezembro de 2019 - 11h07

Por Daniel de Camargo

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Odila Maia Rocha Brito pode se tornar cívico-militar

Matheus Pereira/Especial para AAN

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Odila Maia Rocha Brito pode se tornar cívico-militar

Pais e responsáveis por alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Odila Maia Rocha Brito, no Jardim São Domingos, em Campinas, receberam com um misto de apreensão e otimismo a notícia da escolha da unidade para implantação do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares do Ministério da Educação. Muitos ainda desconhecem as diretrizes do projeto. Na próxima semana, informou o prefeito Jonas Donizette (PSB), três diretores da rede municipal de ensino de Campinas irão até Brasília para conhecer melhor todos os detalhes e etapas do processo.

Ao buscar a neta de 8 anos na porta da escola do São Dimingos, Jorge Moreira Santos, aposentado de 72 anos, que reside há 45 anos no bairro, disse desconhecer o projeto do governo federal e o apontamento da unidade para recebê-lo. Contudo, ao tomar ciência, opinou que seria uma ajuda bem-vinda. Principalmente, no sentido de fortalecer a segurança dos estudantes. Já Rodrigo Silva de Oliveira, operário de 33 anos, que tem um filho de 9 anos matriculado na escola, questionou a real necessidade do suporte dos militares: "Já não tem bastante professor?".

Felipe Cazoni, auxiliar de produção de 22 anos, responsável por buscar a irmã mais nova na unidade, entende que a presença dos militares é ruim. Seu receio é de que eles abordem as crianças de forma enérgica. Para o jovem, os estudantes precisam de métodos de ensino mais contemporâneos.

Josiane Camacho, desempregada de 35 anos, analisa que o novo modelo educacional proposto pode favorecer o filho de 12 anos. Para ela, a convivência com os militares seria uma experiência a mais. Destaca, entretanto, que "a escola já é muito boa".

Anderson Rocha, vigilante de 35 anos, tem duas filhas matriculadas na Emef Odila Maia Rocha Brito. Ele aprova completamente a implantação do programa na escola e acredita que a iniciativa vai beneficiar significantemente as garotas de 7 e 14 anos, juntamente com os mais de 750 alunos que lá estudam. Algumas práticas, aponta, entre elas a de cantar o hino nacional antes das aulas, foram "esquecidas ao longo dos anos". Isso, pondera Rocha, é um indicativo de que certos valores como o nacionalismo não estão mais presentes nos atuais modelos educacionais.

Programa

Campinas foi a única cidade do Estado selecionada para receber o programa. Proposto pelo Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Defesa, o programa pretende implantar 216 escolas com o modelo de gestão dividida em todo o País até 2023. Em 2020, serão 54 unidades.

O foco do programa é ter uma gestão de excelência com uma equipe híbrida, composta por civis e militares. O MEC tem um orçamento de R$ 54 milhões para o programa em 2020, R$ 1 milhão por escola. O dinheiro será investido no pagamento de pessoal em instituições e na melhoria de infraestrutura, compra de material escolar, reformas, entre outras pequenas intervenções.

Segundo o MEC, as escolas em que haverá pagamento de pessoal serão aquelas nas quais o MEC e o Ministério da Defesa firmarão parceria, com a contratação de militares da reserva das Forças Armadas para trabalhar nas escolas. A duração mínima do serviço é de dois anos, prorrogável por até dez, podendo ser cancelado a qualquer momento. Os profissionais vão receber 30% da remuneração de antes de se aposentar.

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Daniel de Camargo