Publicado 08 de Dezembro de 2019 - 10h50

Por Gilson Rei

A Prefeitura de Campinas pede que a população faça a sua parte e evite deixar expostos entulhos que possam se tornar criadouros do mosquito

Leandro Ferreira/AAN

A Prefeitura de Campinas pede que a população faça a sua parte e evite deixar expostos entulhos que possam se tornar criadouros do mosquito

Com risco de índices elevados de dengue em Campinas nos próximos meses, o combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti no próximo Verão será o foco principal da Prefeitura, que convoca a população a fazer sua parte e evitar recordes históricos de mortes e infestação da doença.

O Verão — e o período de chuvas — está bem próximo e, com isso, crescem as condições para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya — doenças que podem gerar mortes e enfermidades como microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré (uma doença grave do sistema nervoso).

Andrea Von Zuben, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), da Secretaria de Saúde de Campinas, explicou que a maior preocupação com a dengue em Campinas tem como justificativa o volume elevado de registros em 2019 e a existência de um tipo de mosquito diferente dos mosquitos que circularam em anos anteriores. 

O fator climático que se apresenta neste ano preocupa também porque, segundo Andrea, nestas condições de temperaturas mais altas, o tipo 2 do Aedes é mais ativo, consegue se reproduzir mais rápido e as fêmeas conseguem colocar mais ovos e picar mais pessoas. "O Inverno já foi quente e já ocorreram muitos casos neste período", alertou. "Com as chuvas e o calor, a tendência é de aumentar a incidência, piorando a situação", afirmou.

Eliminar é preciso

Andrea disse que o risco de haver um crescimento no número de casos é grande porque o vírus em circulação neste ano é sorotipo 2, contra o qual a maior parte da população de Campinas não está imunizada. Segundo a diretora, o vírus tipo 2 da dengue há muitos anos não estava presente no Estado de São Paulo e a ocorrência preocupa, pois muitas pessoas nunca tiveram contato com o vírus, estando assim mais suscetíveis à infecção e a quadros mais graves da doença, podendo até levar à morte.

O número de criadouros é a maior preocupação. "A melhor forma de combate à dengue é eliminar estes focos e existe um trabalho intenso para acabar com esses criadouros", garantiu Andrea. Um levantamento inédito de técnicos da Secretaria de Saúde de São Paulo detectou que em cada imóvel do Estado existem, em média, 2,5 criadouros de Aedes aegypti.

Cerca de 80% dos focos estão presentes em ambientes domésticos. Em geral, são pequenos recipientes como pratos de vasos de plantas, latas, garrafas plásticas, pneus e outros objetos esquecidos nos quintais, a céu aberto. "Por isso é importante haver participação da população e existir a autoconsciência para combater os focos", disse.

Há uma recomendação que está sendo trabalhada nesse sentido, pois os agentes estão recomendando que as pessoas gastem dez minutos por semana para fazer uma checagem geral em suas residências e eliminar água parada nas diversas formas.

Os mosquitos circulam em uma área de até 100m do foco de nascimento. "Portanto, se existe o mosquito na casa é porque o foco deve estar muito próximo e pode ser eliminado com uma vistoria. Por isso, é importante a população agir", afirmou Andrea.

Equipe

O trabalho de conscientização nos bairros, com visitas técnicas dos agentes, ocorrem diariamente e existe uma equipe de mil profissionais em diversas frentes. Além das visitas diárias nos bairros, equipes realizam mapeamento dos registros e desenvolvem campanhas específicas para determinadas regiões.

Há um trabalho diário também em locais de grande circulação de pessoas, como rodoviária, terminais de ônibus, shoppings, mercados, parques e áreas públicas, entre outros locais.

Um Comitê Municipal de Controle das Arboviroses formado para o combate envolve agentes de todas as secretarias e autarquias da Prefeitura, desde Educação e Saúde até a Sanasa, com atividades de conscientização e até de limpeza de focos.

Caminhada

Entre as ações de combate ao mosquito e à doença, o Comitê Municipal de Controle das Arboviroses realizará, no dia 14 de dezembro, sábado que vem, a Caminhada "Todos contra a Dengue" na região de Barão Geraldo. O mesmo deverá ocorrer em outras regiões da cidade.

A mobilização foi motivada pelo grande número de casas fechadas e abandonas. Contará com a participação dos agentes da Secretaria de Saúde, Defesa Civil, Educação, Cultura, Transforma Campinas e Secretaria de Serviços Públicos, além de ONGs.

Ações incluem retorno do uso de nebulizador

Além de eliminar os criadouros, outras medidas complementares estão sendo adotadas para combater a dengue. Quase oito meses depois de abandonar o uso de nebulizador para combater o mosquito Aedes aegypti, a Prefeitura de Campinas decidiu retomar essa medida antidengue, utilizando inseticida menos eficaz no mês passado. A nebulização estava interrompida desde abril deste ano e será feita quando o mapeamento de casos apontar a necessidade.

A Secretaria de Saúde iniciou o processo de compra de inseticida Piretroide para substituir o Malation, que vinha sendo usado pelo governo federal no combate ao mosquito, mas teve o envio suspenso aos municípios por problemas de contrato com o fornecedor.

O Piretróide é um inseticida usado na agricultura, com resultados efetivos contra diversas pragas e é muito utilizado em residências como repelente. O produto é menos tóxico que o Malation, mas também é menos eficiente.

Apresenta eficácia que varia entre 55% e 60%, comparado ao Malation. Mesmo assim, a Prefeitura decidiu comprar o Piretróide para não ficar mais tempo sem a aplicação. Ao todo, a Administração investiu R$ 11,5 mil e deverá contemplar uma área equivalente a 20 mil imóveis. O uso de drone ainda está sendo avaliado. Passa por um processo de aprendizagem e não será utilizado neste ano. 

Escrito por:

Gilson Rei