Publicado 07 de Dezembro de 2019 - 9h43

Por Maria Teresa Costa

Condepacc tomba 93 conjuntos do Centro Histórico de Campinas, espaços que homenageiam figuras ilustres e que retratam fases da cidade

Leandro Ferreira/AAN

Condepacc tomba 93 conjuntos do Centro Histórico de Campinas, espaços que homenageiam figuras ilustres e que retratam fases da cidade

O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) tombou 93 monumentos como patrimônio da cidade. Eles estão instalados no Centro Histórico e formam conjuntos que comemoram acontecimentos importantes, homenageiam figuras ilustres e têm significado histórico. Com o tombamento, nenhum deles poderá ser mudado de lugar sem autorização do conselho. Além dos grandes monumentos da cidade, também vários bustos de personagens da história se tornaram patrimônio.

A iniciativa de torná-los patrimônios históricos de Campinas foi da Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC), o braço técnico do Condepacc. Apenas três monumentos do Centro Histórico, segundo a coordenadora da CSPC, Daisy Ribeiro, são tombados e estão localizados na Praça Bento Quirino — o monumento-túmulo de Carlos Gomes, e os monumentos de Bento Quirino e de César Bierrenbach. O Condepacc aprovou o tombamento desses bens em 1999, dentro de um processo que incluiu a Praça Bento Quirino e a Basílica do Carmo.

O processo dos 93 foi aprovado por unanimidade e a resolução de tombamento será publicada, com a relação dos bens, na próxima semana. Entre eles está um dos mais antigos da cidade: o Monumento à Mogiana, inaugurado em 1875, para comemorar os 25 anos de fundação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.

Originariamente ele ficava na antiga Praça dos Ferroviários, onde hoje está o Terminal Rodoviário. Tempos depois, foi levado para frente da Estação Cultura.

Na relação dos que se tornaram patrimônio da cidade estão três obras de Lélio Coluccini: o Monumento à Fundação de Campinas, inaugurado em 1957 e que está instalado em frente ao Palácio da Justiça, o Monumento das Andorinhas, dos anos 60, que fica em frente ao Museu de Arte Contemporânea e o Monumento do Bicentenário, inaugurado em 1974, no Largo das Andorinhas.

A homenagem às andorinhas é um dos mais bonitos monumentos da cidade. Feito em bronze, o monumento traz um grupo de aves em voo, e presta uma homenagem a esses pássaros símbolo da cidade. Já o da homenagem à fundação de Campinas é feito de oito blocos de granito cinza formando um semicírculo — do lado direito fica o brasão da cidade, no centro o nome do fundador da cidade, Barreto Leme e do lado direito o nome de todos seus colaboradores.

Já o Monumento do Bicentenário, em concreto aparente, tem uma figura em bronze de uma mulher coroada, com 24 metros de altura, segurando o Brasão de Campinas e com uma área vazada no peito, em forma de coração. A figura representa a "Princesa do Oeste", que tem o coração aberto a quantos procurarem a cidade e a todos os seus filhos.

Outro monumento que se tornou patrimônio é o da Mãe Preta, instalado em 1983, em frente à Igreja de São Benedito. Ele é uma réplica do existente no Largo Paissandu, na Capital. Também está na lista o grandioso Monumento a Campos Salles, instalado no início da avenida que leva seu nome. Inaugurado em 1934, ele fica originariamente no Largo do Rosário e depois foi transferido para o atual local. Em granito cinza com colunas simbólicas e figuras em bronze representando algumas características do governo do homenageado, isto é, a harmonia, o crédito e a abundância. Há também, alegorias representando a lei, o trabalho e a vitória da República. É obra do escultor Iolando Mallozi.

Conservação

A coordenadora da CSPC avalia que os monumentos estão em boa conservação. São cuidados pelo Departamento de Parques e Jardins, sob orientação da coordenadoria de patrimônio. “Já vínhamos há algum tempo fazendo o levantamento sobre eles. Levamos ao conselho os estudos e o tombamento foi aprovado por unanimidade”, disse.

Exemplares mais recentes, como o busto do prefeito assassinado Antônio da Costa Santos, instalado no Paço Municipal, e a escultura em sua homenagem em que surge na Avenida Mackenzie soltando pipa, do arquiteto Spencer Pupo Nogueira, são estão na relação.

Escrito por:

Maria Teresa Costa