Publicado 08 de Dezembro de 2019 - 1h00

Por Carlo Carcani Filho

Foi por obra do acaso, mas o Brasileirão de 2019 merecia mesmo terminar com um Santos x Flamengo. O estilo de jogo proposto por ambos durante a competição encantou torcedores, arrancou elogios da imprensa e criou um enorme incômodo para vários treinadores que nos últimos anos implantaram com sucesso um método de trabalho mais conservador e bem menos encantador.

O futebol mais divertido e agradável de se ver proporcionado pelos dois primeiros colocados do campeonato é fruto do trabalho de seus treinadores. Mesmo em condições diferentes, Jorge Jesus e Jorge Sampaoli mostraram que é possível alcançar grandes resultados sem se preocupar apenas em marcar, marcar e marcar. Os dois fizeram muito sucesso pensando em atacar, atacar e atacar.

O trabalho do português é melhor que o do argentino. Ele tem em mãos um elenco mais forte e mais caro, muito bem montado pela diretoria rubro-negra.

Jesus teve o mérito de transformar esse ótimo elenco em uma máquina de marcar gols. Com números impressionantes, conquistou o título com um pé nas costas. O ataque é, disparado, o melhor da competição. E a briga pela artilharia do Brasileirão se transformou em uma disputa particular do time carioca. Só a dupla Gabigol e Bruno Henrique fez mais gols do que 14 times. Estão disparados na frente e ao término da rodada pode ser que Arrascaeta termine como terceiro maior goleador. Seria mais um feito inédito entre tantos outros desse time histórico.

O trabalho de Sampaoli não foi tão brilhante, mas ele levou um time que tem a sexta maior folha de pagamento da competição (R$ 6 milhões) à briga pela vice-liderança com o Palmeiras, primeiro da lista com R$ 9,1 milhões de despesas mensais com salários e direitos de imagem.

O time do Santos também é muito bom e a campanha excelente não chega a ser algo de outro mundo. Mas o clube enfrenta dificuldades financeiras, jogadores chegaram a reclamar publicamente de atrasos e, ainda assim, o Peixe tem os mesmos 71 pontos do Palmeiras, que tem um elenco maior, mais caro e que recebe em dia.

Apesar de algumas decisões equivocadas, Sampaoli fez do Santos um time competitivo, que também joga em função do gol. O jogo contra o Botafogo, no Rio, chamou a minha atenção. O Peixe teve um jogador expulso, mas continuou jogando para vencer e fez 1 a 0. E mesmo fora de casa e com vantagem no placar, continuou pressionando, em busca de mais gols. Muitos treinadores convencionais fechariam o time após uma expulsão fora de casa. E todos eles recuariam depois de fazer um gol.

Sampaoli tem outros conceitos e por isso deve ser contratado a peso de ouro pelo Palmeiras com a missão de enfrentar o Flamengo em 2020. Hoje, em uma saborosa despedida do Brasileirão, teremos a chance de ver, frente a frente na Vila Belmiro, os dois treinadores que balançaram as estruturas retranqueiras do nosso futebol.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho