Publicado 07 de Dezembro de 2019 - 19h56

Por AFP

Milhares de iraquianos voltaram às ruas neste sábado (7) para protestar contra o regime e seu aliado iraniano, após a morte de 20 manifestantes nas mãos de um grupo armado em Bagdá, gerando o temor de um aumento da violência.

Logo após esse massacre na noite de sexta-feira, um drone lançou um morteiro ao amanhecer contra a casa do líder xiita Moqtada Sadr, um ataque que poderia "desencadear uma guerra civil", alertou seu porta-voz, Salah al Obeidi, que pediu "moderação".

Moqtada Sadr, político versátil e ex-chefe de milícia que entregou oficialmente as armas, mas mantém milhares de combatentes, não estava em casa no momento do ataque.

O líder xiita foi o primeiro a reivindicar a saída do governo de Abel Abel Mahdi, cuja demissão foi aceita em 1º de dezembro pelo Parlamento.

No sábado, os manifestantes foram em massa até a Praça Tahrir, epicentro dos protestos em Bagdá, e às ruas de cidades do sul, para pedir a queda de todo o sistema, apesar da forte presença de policiais.

À noite, uma manifestante admitiu que temia mais violência.

"As forças de segurança bloqueavam as ruas que levam à Tahrir e os manifestantes não conseguem entrar, mas os mesmos [agressores] que nos atacaram, sim", contou.

No entanto, decidiu protestar apesar do que já ficou conhecido como "o massacre de Senek", com o nome da ponte perto da Praça Tahrir, em Bagdá, onde o ataque ocorreu.

O Estado iraquiano garantiu que não pode identificar os agressores ou detê-los, em um país onde as facções armadas pró-iranianas têm uma influência cada vez maior e, em muitos casos, são integradas às forças de segurança.

Na noite de sexta-feira, homens armados não identificados atacaram um estacionamento de vários andares que os manifestantes ocupavam nas imediações da ponte Senek. Vinte manifestantes e quatro policiais morreram, e uma centena de pessoas ficaram feridas, segundo um último balanço de fontes médicas.

O caos provocado pelos tiros, filmado por manifestantes que fugiam aos gritos, foi difundido pelas redes sociais e prosseguiu durante várias horas até a noite.

Membros não armados das Brigadas da Paz de Moqtada Sadr se deslocaram para "proteger" os manifestantes, segundo fontes do movimento.

"As forças de segurança estavam a um quilômetro dali e não fizeram nada", contou um médico à AFP.

"Os disparos contra os manifestantes foram intensos, foram impiedosos, não deixaram que as pessoas evacuassem os feridos, foi um massacre", insistiu um manifestante.

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