Publicado 07 de Dezembro de 2019 - 14h11

Por AFP

Antes de morrer, Lauren Bruner deixou claro que queria que seus restos descansassem com seus companheiros caídos no bombardeio de Pearl Harbor em 1941.

O ataque, que mudou o curso da história e levou os Estados Unidos a entrar na Segunda Guerra Mundial, deixou mais de 2.400 soldados americanos mortos, 1.177 deles no USS Arizona, onde Bruner servia, então um jovem marinheiro de 21 anos.

Bruner, que morreu em setembro aos 98 anos, era um dos últimos sobreviventes do bombardeio do Japão em 7 de dezembro de 1941 naquela base localizada no estado do Havaí, um arquipélago no Pacífico. E neste sábado, durante uma cerimônia pelo 78º aniversário do ataque, uma urna com suas cinzas será depositada no fundo do mar, onde o navio repousa.

Os ex-militar havia manifestado anos atrás seu desejo de ficar com seus companheiros caídos naquele dia fatídico.

"Ele é o último membro da tripulação sobrevivente do USS Arizona que retorna ao navio e a seus companheiros", disse à AFP Jay Blount, porta-voz do Memorial Nacional de Pearl Harbor.

Será o 44º sobrevivente do navio a ter seu descanso final na embarcação. Os outros três marinheiros vivos que sobreviveram ao ataque disseram que querem ser enterrados com seus parentes.

Um deles, Lou Conter, de 98 anos, comparecerá à cerimônia deste sábado com cerca de 120 membros da família Bruner.

Após a cerimônia, à tarde, mergulhadores militares e do Serviço Nacional de Parques vão levar a urna com as cinzas de Bruner até seu local de descanso final nos escombros do casco do navio, disse Blount.

Bruner foi um dos seis homens resgatados do navio de guerra condenado depois que um avião japonês o bombardeou.

Eles foram salvos porque um marinheiro a bordo de uma embarcação próxima jogou uma corda, que Bruner, gravemente queimado e com dois tiros na perna, conseguiu agarrar.

O presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, descreveu o ataque surpresa a essa base, perto de Honolulu, como "uma data que viverá infame".

Dos 1.177 marinheiros e fuzileiros a bordo do USS Arizona mortos no ataque, os corpos de mais de 900 nunca foram encontrados, segundo o Serviço Nacional de Parques.

Bruner serviu na Segunda Guerra Mundial depois de se recuperar de seus ferimentos, lutando em batalhas nas Ilhas Aleutas e no Pacífico Sul. Aposentou-se da Marinha em 1947.

Em uma conferência de imprensa em 2014, ele explicou por que decidiu que suas cinzas fossem levadas ao navio afundado.

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