Publicado 07 de Dezembro de 2019 - 12h41

Por AFP

Em um ambiente de "start-up" dinâmica, mais de cinquenta militantes trabalhistas fazem campanha pelas legislativas britânicas nas redes sociais, um terreno muito disputado, mas com pouca regulamentação.

"Nós nos mobilizamos e tentamos convencer", explica Laura Parker, coordenadora do Momentum, um movimento que apoia o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn.

Com a experiência das últimas legislativas de 2017, nas quais o Labour obteve melhores resultados do que o previsto pelas pesquisas, Momentum e os trabalhistas reivindicam um avanço no plano tecnológico em relação aos conservadores.

"Eles não vão nos alcançar", estima Laura Parker.

A coordenadora garante que realizam uma campanha "ética" para as legislativas de 12 de dezembro. "Vamos contra nossos adversários quando eles mentem" e "às vezes forçamos os limites", mas sem cair na "política suja", insiste.

Mas os golpes baixos não faltam no campo de batalha que constituem as redes sociais.

O partido do primeiro-ministro Boris Johnson foi acusado de mentir quando a conta do Twitter do serviço de imprensa dos conservadores foi renomeada durante um debate entre Boris Johnson e Jeremy Corbyn como "FactcheckUK", fazendo-se passar por verificador de informações.

A rede social advertiu que tomaria medidas em caso de uma nova tentativa de "enganar" os eleitores.

A legislação britânica, que remonta a 2000, está atrasada neste campo.

Nada aconteceu desde o escândalo Cambridge Analytica, uma empresa britânica que coletou dados de 87 milhões de usuários do Facebook para realizar campanhas de manipulação em massa e influenciar os eleitores britânicos e americanos.

É verdade que as plataformas modificaram suas políticas, "especialmente o Facebook e o Twitter", diz o deputado conservador Damian Collins, que presidiu uma comissão que em fevereiro de 2019 publicou um relatório muito duro contra as gigantes digitais.

No entanto, "não vão longe o suficiente".

O deputado, que está em campanha pela reeleição no sudeste da Inglaterra, defende uma "tolerância zero com aqueles que tentam influenciar o resultado de uma eleição espalhando mentiras".

Segundo ele, ainda é fácil evitar na internet as duas salvaguardas da lei eleitoral: "transparência para saber quem diz o quê e transparência nos dados".

Quanto ao risco de interferência estrangeira, "sempre existe", devido à falta de rastreabilidade suficiente de doações on-line para financiar campanhas nas redes sociais.

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