Publicado 06 de Dezembro de 2019 - 22h11

Por AFP

Faltando uma semana para as eleições, o premiê britânico, Boris Johnson, foi acusado de "enganar deliberadamente" os britânicos e evitar as perguntas de um renomado entrevistador político, embora tenha respondido às do público durante um debate televisionado nesta sexta-feira (6).

Jonshon e o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, se enfrentaram à noite no segundo e último debate cara a cara antes das legislativas do dia 12.

Durante uma hora, os dois políticos moderaram o tom, optando pela prudência.

O opositor assegurou que Johnson "não é confiável" e destacou suas contradições frequentes, enquanto o conservador acusava os trabalhistas de "fomentar a derrocada do capitalismo" e querer impor "os impostos mais altos da Europa".

Segundo pesquisa realizada pelo YouGov, os dois se igualaram: 52% do público considerou que Johnson venceu, enquanto 48% votaram em Corbyn, mas contando a margem de erro, isso equivale a um empate.

No entanto, 48% acharam Corbyn mais digno de confiança do que Johnson (38%).

Precisamente sobre o tema da "confiança", o jornalista da BBC Andrew Neil queria entrevistar o primeiro-ministro, a quem seus críticos acusam regularmente de mentir.

Mas embora os líderes dos outros principais partidos se submeteram nas últimas semanas a suas incômodas perguntas, o conservador se recusou.

"Em cada eleição" os candidatos aceitaram o convite, disse o entrevistador. "Todos eles. Até nesta [eleição]", lamentou, dirigindo-se aos telespectadores.

Desde a manhã, Corbyn assegurou em um ato em Londres que o primeiro-ministro esconde as implicações econômicas reais do seu acordo de divórcio com a União Europeia.

Decidido por um referendo em 2016, o Brexit foi adiado três vezes diante da negativa do Parlamento a aprovar um acordo.

Para sair do bloqueio, Johnson, sem maioria parlamentar e abandonado por seus cruciais parceiros norte-irlandeses do DUP, convocou legislativas antecipadas e percorreu o país enaltecendo os benefícios do seu texto.

Mas Corbyn afirmou ter provas de que "engana deliberadamente as pessoas".

Ele distribuiu um documento confidencial de 15 páginas elaborado pelo ministério das Finanças que, segundo ele, demonstra que haveria trâmites alfandegários e controles de segurança entre a ilha da Grã-Bretanha e a província britânica da Irlanda do Norte.

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