Publicado 06 de Dezembro de 2019 - 17h27

Por AFP

Robin, uma jovem chinesa, passa horas conversando com seu "namorado", que sempre está disposto a escutar seus problemas, contanto que ela o pague.

A estudante de 19 anos já gastou mais de 1.000 iuanes (150 dólares) conversando com "namorados virtuais".

Não se trata de simples conversas sobre sexo on-line, senão que os homens cobram por estas conversas amistosas ou para manter relações amorosas na internet, que podem ir desde ligações até longas trocas de mensagens de texto e vídeo.

"Se alguém está disposto a me acompanhar e falar, estou disposta a gastar o dinheiro", diz Robin, que prefere não dar seu nome verdadeiro.

A opção por esse tipo de intimidade paga ganhou popularidade entre as jovens de classe média na China, que costumam se concentrar mais em suas carreiras e não têm planos imediatos de se casar ou formar uma família.

Este comércio de amigos virtuais e de casais pode ser encontrado no aplicativo de mensagens chinês WeChat ou em portais de e-commerce, como Taobao.

Vários desses companheiros virtuais disseram à AFP que a maioria de seus clientes são mulheres solteiras na casa dos 20 anos com renda alta.

Durante o dia, o jovem Zhuansun Xu de 22 anos trabalha como vendedor em Pequim. À noite, conversa com clientes que pagam para que ele seja seu "namorado".

A garotas se aproximam de Zhuansun com diferentes necessidades - algumas querem a opinião de um amigo, outras têm requerimentos mais românticos.

"Quando interagimos, digo a mim mesmo que sou realmente seu namorado e penso em como posso tratá-la bem", conta à AFP. "Mas uma vez que terminamos, para de pensar nisso".

Os preços começam em alguns poucos iuanes por meia hora de troca de mensagens de texto e podem chegar a milhares de iuanes por um acompanhamento através de ligações telefônicas durante um mês.

"As pessoas criaram uma forma de mercantilizar o afeto", diz Chris K.K. Tan, professor associado da Universidade de Nanjing, que pesquisou o fenômeno.

"Esta é uma nova forma de chegar à idade adulta sem precedentes para as mulheres na China", diz Tan.

No passado, para muitas garotas era simplesmente impossível ter um romance.

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AFP