Publicado 06 de Dezembro de 2019 - 12h28

Por AFP

Alguns saíram do anonimato, outros ainda continuam nas sombras. Marcaram o fim da década nos palcos internacionais. Confira esta seleção de "anônimos" que encontraram a fama em 2019.

Este misterioso agente da CIA, que trabalhou por um tempo na Casa Branca, ficou alarmado com o conteúdo de um telefonema no qual o presidente Donald Trump teria pedido à Ucrânia que investigasse um de seus adversários. O denunciante não participou da conversa, mas obteve os testemunhos de várias autoridades que tiveram acesso. Trump teria condicionado uma ajuda militar a esta investigação, o que significaria abuso de poder para benefício pessoal.

Seu alerta, bloqueado durante um tempo por seus superiores, chegou em setembro ao Congresso, onde os representantes democratas decidiram dar início a uma investigação para um processo de impeachment sobre os fatos denunciados. O denunciante desencadeou, assim, audiências de mais de quinze testemunhas no Congresso americano, sem que a Casa Branca pudesse fazer nada.

Levando em conta a maioria democrata na Câmara Baixa, o republicano Donald Trump deveria ser impugnado ("impeachment"), algo que só ocorreu com outros dois presentes dos Estados Unidos antes dele: Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998, ambos absolvidos. Depois, seria julgado no Senado, onde a maioria republicana teria que salvá-lo da destituição.

Donald Trump, que diz ser vítima de uma conspiração política, costuma acusar o denunciante de estar a serviço dos democratas e lhe pede para "sair da sombra".

Veículos de comunicação ligados à extrema direita, representantes republicanos e até mesmo Donald Trump Junior deram nome a esta fonte, violando as normas de proteção dos denunciantes.

Sentada no frio chão de pedra em frente ao Parlamento em Estocolmo, Greta Thunberg, uma adolescente de tranças ainda anônima um ano atrás, tornou-se a consciência ambiental do mundo e a voz de uma geração exasperada pela inação de seus dirigentes.

Tudo começou em agosto de 2018, quando a jovem sueca de 16 anos lançou a "greve dos estudantes pelo clima". Armada com um cartaz de papelão, chamou rapidamente a atenção da mídia sueca e depois dos veículos internacionais. Em questão de meses, a adolescente com síndrome de Asperger, um transtorno do espectro autista, se impôs como a defensora do planeta.

Jovens de todo o mundo se uniram à sua causa. As "sextas pelo futuro" levaram às ruas milhões de jovens antes da cúpula da ONU sobre o clima em setembro de 2019, em Nova York, aonde foi a bordo de um veleiro para evitar as emissões elevadas da viagem de avião.

Na metrópole americana, disse aos poderosos: "Como se atrevem? Roubaram meus sonhos e minha infância com palavras vazias".

Amada e odiada, Greta contribuiu para situar a emergência climática no centro das preocupações globais. Na Europa, cerca de 80% dos entrevistados consideram agora que se trata de um problema muito grave, segundo pesquisa do Eurobarômetro, publicada em abril de 2019. Seu país, a Suécia, é o único da Europa onde mais da metade dos consultados pensam que as mudanças climáticas são o problema mais grave.

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